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Aliado de Kiev pede à Alemanha para que não puna os responsáveis ​​por explodir o Nord Stream

As declarações vêm na esteira da prisão, na Croácia, de um suspeito ucraniano no caso de sabotagem do gasoduto, em cumprimento a um mandado de prisão europeu emitido pelo Ministério Público Federal da Alemanha.
Aliado de Kiev pede à Alemanha para que não puna os responsáveis ​​por explodir o Nord StreamGettyimages.ru / Swedish Coast Guard / Handout / Anadolu Agency

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, pediu a Berlim que não processasse os suspeitos acusados ​​de explodir os gasodutos Nord Stream em 2022. Esses gasodutos eram vitais para a Alemanha, fornecendo gás natural russo direto e a baixo custo.

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As declarações foram feitas após a prisão de um suspeito ucraniano no caso da sabotagem dos gasodutos submarinos no fundo do Mar Báltico, na quarta-feira (19), na Croácia. A prisão foi efetuada em cumprimento a um mandado de prisão europeu emitido pela Procuradoria Federal da Alemanha. O homem, identificado como Vladimir Z., já havia sido preso na Polônia em setembro de 2025, mas um tribunal de Varsóvia se recusou a extraditá-lo para o país vizinho e ordenou sua libertação.

Questionado pela imprensa na quinta-feira (20) se ainda acreditava que o suspeito não deveria enfrentar acusações criminais, Tusk respondeu que não havia mudado de opinião. "É claro que a Alemanha não deve processar aqueles que tomam um caminho ou outro [...]. Não vou mudar de ideia sobre isso e acredito que aqueles que deveriam se envergonhar são os que construíram este gasoduto, não os que o tornaram inutilizável", afirmou.

O primeiro-ministro polonês também lembrou que se opôs por muito tempo ao projeto Nord Stream 2 e que fez tudo o que pôde para impedir sua construção. "A Alemanha tinha uma opinião diferente naquela época", lamentou.

Crise energética na Alemanha

Tanto a incapacidade de fornecer gás barato através do Nord Stream quanto a decisão da União Europeia de romper, de modo geral, com os hidrocarbonetos russos baratos desencadearam uma crise energética no bloco, particularmente na Alemanha. A atual escalada no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e do gás e, como resultado, o Velho Continente enfrenta energia ainda mais cara, pressão sobre famílias e empresas, fechamento de indústrias, demissões e uma economia cada vez mais fragilizada.

Um dos setores mais afetados foi a indústria automobilística alemã, que atravessa uma de suas crises mais profundas das últimas décadas. A fabricação de automóveis exige quantidades enormes de energia, especialmente para a produção de aço, alumínio, produtos químicos e baterias. Como resultado, o aumento dos custos de energia impactou toda a cadeia de suprimentos, elevando o custo final dos veículos e reduzindo as margens de lucro das montadoras. Nesse contexto, muitas marcas de automóveis renomadas, incluindo BMW, Porsche e Volkswagen, estão sendo forçadas a implementar reduções significativas em seus quadros de funcionários.

O próprio chanceler alemão, Friedrich Merz, reconheceu em julho que seu país sente falta do gás russo, embora tenha defendido a direção de sua política de gás. Ele havia declarado anteriormente que faria todo o possível para impedir a entrada em operação do gasoduto Nord Stream 2.

Ao mesmo tempo, as reservas de gás da UE caíram em agosto para menos de 58% da capacidade, o nível mais baixo para este período do ano desde o início dos registros em 2011, segundo dados da Gas Infrastructure Europe. A Comissão Europeia mantém a posição de que a meta de atingir 80% dos reservatórios cheios antes do inverno continua sendo suficiente e tecnicamente possível, embora os analistas duvidem disso e estimem que o número ficará entre 67% e 76%.

Sabotagem e terrorismo

As explosões nos gasodutos Nord Stream 1 e 2 ocorreram em 26 de setembro de 2022, provocando grandes vazamentos de gás no Mar Báltico.

Os governos da DinamarcaAlemanha e Suécia se recusaram a divulgar os resultados de suas investigações sobre a ação e ignoraram os pedidos da Rússia, que pediu para auxiliar no caso, informou o New York Times à época.

Em 2022, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, expressou que, por trás dos ataques, estava alguém "capaz de organizar as explosões de forma técnica e que já recorreu a esse tipo de sabotagens", insinuando envolvimento do governo dos Estados Unidos.

Em 2023, o renomado jornalista norte-americano Seymour Hersh concluiu que a Casa Branca, sob comando do então presidente Joe Biden, estava por trás do atentado.

Outros relatórios da imprensa ocidental responsabilizaram grupos de sabotagem ucranianos pela explosão, que teriam chegado ao local do ataque em um iate chamado Andrômeda.

Segundo a investigação, a operação para explodir os gasodutos foi coordenada pelo ucraniano Sergey Kuznetsov.