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'Super El Niño' ameaça café e açúcar do Brasil e coloca commodities globais em alerta

Centro climático dos EUA vê mais de 90% de chance de episódio intenso em 2026-27.
'Super El Niño' ameaça café e açúcar do Brasil e coloca commodities globais em alertaGettyimages.ru / Bruno Zanardo

O fortalecimento do El Niño pode levar a um episódio preocupante em 2026-27 e ameaçar a produção mundial de café, cacau e açúcar. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos calcula em torno de 90% a chance de um evento dessa intensidade durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte. A informação foi publicada pela Reuters nesta terça-feira (18).

O Brasil está entre os países expostos. Calor e seca nas regiões produtoras de café podem prejudicar o desenvolvimento da safra de arábica de 2027, enquanto chuvas excessivas no segundo semestre podem interromper a colheita de cana e reduzir a qualidade do açúcar.

O cacau aparece entre as commodities mais vulneráveis. Segundo a gestora WisdomTree, todos os episódios fortes de El Niño registrados nos últimos 55 anos provocaram redução da produção.

Cacau e café

Costa do Marfim e Gana, que juntos produzem cerca de metade do cacau mundial, podem enfrentar tanto excesso inicial de chuvas quanto calor e seca. No último El Niño, problemas climáticos contribuíram para uma quebra da safra da África Ocidental e levaram os preços a recordes acima de US$ 12 mil (aproximadamente R$ 62 mil) por tonelada no fim de 2024.

O café robusta também enfrenta riscos no Vietnã e na Indonésia, responsáveis juntos por cerca de metade da produção mundial da variedade. Analistas do Citi afirmam que a redução das chuvas nos dois países pode diminuir significativamente os rendimentos das lavouras.

No Brasil, o impacto sobre o café arábica pode variar ao longo do fenômeno. Temperaturas mais altas podem reduzir o risco de geadas durante a colheita atual, mas seca e calor no quarto trimestre tendem a atingir as lavouras durante o desenvolvimento da safra de 2027.

Açúcar

Em relação ao açúcar, o El Niño costuma provocar chuvas excessivas no segundo semestre nas áreas produtoras brasileiras, o que pode interromper a colheita e comprometer sua qualidade. O Brasil responde por cerca de metade das exportações mundiais da commodity.

Na Índia e na Tailândia, o fenômeno tende a reduzir as chuvas. Carlos de Mello, chefe da área de açúcar da Hedgepoint, estima que mesmo um El Niño moderado poderia retirar cerca de 1 milhão de toneladas da produção indiana.

No médio prazo, porém, as chuvas acima da média nas regiões canavieiras brasileiras podem favorecer a safra de 2027. Segundo de Mello, esse efeito limita a possibilidade de uma alta prolongada dos preços do açúcar provocada pelo El Niño.