
Assessor de Putin diz que apenas um lado está disposto a cumprir acordos de Anchorage

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou neste domingo (21) que a Rússia não espera o cumprimento dos acordos firmados durante a cúpula de Anchorage, no Alasca, entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, Moscou espera alcançar uma vitória.

Em entrevista ao jornalista Pavel Zarubin, Ushakov declarou que apenas uma das partes continua comprometida com os entendimentos alcançados em Anchorage.
"Neste momento, uma das partes continua comprometida com os acordos que foram negociados em Anchorage, enquanto a outra parte, ao que tudo indica — e isso já pode ser afirmado —, não foi capaz de cumprir sua parte do acordo nem de respeitar os compromissos", afirmou o assessor presidencial russo.
Situação no campo de batalha
Ushakov também avaliou que o Ocidente está equivocado ao acreditar que conseguirá derrotar a Rússia. Segundo ele, a situação na linha de frente demonstra o avanço gradual das tropas russas.
"Eles estão enganados, porque é preciso observar atentamente o que acontece no campo de batalha, na linha de contato, onde nossas tropas avançam de forma gradual e constante", disse.
Postura da Europa
Na sexta-feira (19), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o principal erro da Europa é acreditar que negociações com Moscou devem ocorrer "a partir de uma posição de força e aproveitando a fraqueza" da Rússia.
"Estamos prontos para manter contatos, e não fomos nós que impulsionamos a suspensão e a redução a zero desses contatos", declarou Peskov.
- O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou em diversas ocasiões que o país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana.
- Entre as condições apresentadas por Moscou estão a retirada das tropas ucranianas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas pela Rússia após consultas populares realizadas em 2022.
- Putin também afirma que é necessário garantir a segurança da Rússia a longo prazo e eliminar o que Moscou considera as causas profundas do conflito, incluindo a expansão da OTAN e a situação da população russófona na Ucrânia.
- A proposta russa prevê ainda o reconhecimento, por Kiev, da Crimeia, Sebastopol, Donetsk, Lugansk, Zaporozhie e Kherson como parte da Federação da Rússia, além da neutralidade, do não alinhamento, da desnuclearização, da desmilitarização e da desnazificação da Ucrânia.

