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México destaca Brasil como potência em área estratégica e propõe 'aprender com a experiência'

Chanceler mexicano rasgou elogios às relações bilaterais entre os países em artigo poucos dias após ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
México destaca Brasil como potência em área estratégica e propõe 'aprender com a experiência'Legion-media.ru / Zoonar

O ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco Álvarez, destacou nesta quarta-feira (12) a experiência brasileira em biocombustíveis e defendeu a elevação das relações entre os dois países a uma "associação estratégica de longo prazo".

Em artigo publicado no jornal mexicano Excélsior, o chanceler afirmou que o México pretende aprender com o Brasil, queclassificou como uma "potência global" no setor.

O chanceler citou ainda a aproximação entre a Petrobras e a Pemex, as duas maiores empresas petrolíferas estatais da América Latina. Um memorando firmado em junho abriu uma agenda de intercâmbio técnico, tecnológico e regulatório em áreas como exploração, produção e transformação de hidrocarbonetos.

Álvarez também ressaltou que os governos de México e Brasil compartilham a visão de que a soberania energética e o desenvolvimento econômico devem caminhar lado a lado com o combate às mudanças climáticas. 

Maiores economias da América Latina

O ministro mexicano destacou que Brasil e México são as duas maiores economias e os dois países mais populosos da América Latina e do Caribe. Juntos, segundo ele, concentram cerca de 60% do PIB regional e estão entre as 15 maiores economias do mundo, além de integrarem o G20.

Para Álvarez, essa dimensão cria uma "responsabilidade compartilhada" diante de temas como pobreza e desigualdade, mudanças climáticas, democracia e defesa do multilateralismo.

A aproximação econômica também apresenta bons resultados. De acordo com dados do Banco do México citados pelo chanceler, as exportações mexicanas para o Brasil cresceram cerca de 33% no primeiro semestre deste ano. Os dois governos também concordaram em ampliar o comércio e os investimentos recíprocos.

A cooperação deve avançar ainda em ciência e tecnologia. Um memorando assinado pela Secretaria de Ciência, Humanidades, Tecnologia e Inovação do México e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil prevê trabalho conjunto em inteligência artificial, semicondutores e computação quântica.

Integração regional

Álvarez mencionou ainda convites recíprocos para ampliar a integração regional. O Brasil convidou o México a participar do Centro Latino-Americano de Biotecnologia, enquanto o governo mexicano convidou o Brasil a integrar a Agência Latino-Americana e Caribenha do Espaço (ALCE).

Na avaliação do chanceler, o próximo passo é transformar a atual aproximação em uma estrutura permanente de cooperação. Ele defendeu a criação de cadeias regionais de valor em setores como biocombustíveis, indústria aeroespacial, farmacêutica e minerais estratégicos, além de projetos de autossuficiência sanitária e desenvolvimento de capacidades espaciais próprias.

Para o chanceler, a relevância da aproximação entre os dois países não deve ser medida apenas pelos resultados nacionais. "O momento de México e Brasil não se medirá pelo que alcancemos internamente, mas pelo que a região — e o mundo — recebam de nós", concluiu.