
Rússia está comprometida com os acordos alcançados no Alasca, diz Lavrov

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, declarou nesta segunda-feira (15) que a Rússia cumprirá os acordos estabelecidos em 2025 entre o presidente Vladimir Putin e o presidente americano Donald Trump em Anchorage, no Alasca.

Após reunião com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, em Minsk, Lavrov afirmou que Moscou está comprometida com o que foi acordado em 15 de agosto do ano passado e espera que Washington implemente a posição baseada na proposta americana.
O chanceler russo mencionou uma reunião planejada com Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados especiais dos EUA, e manifestou expectativa de que expliquem como os americanos pretendem implementar os acordos.
Blefes desesperados
O chanceler russo também pontuou a ausência de evolução nas negociações para o conflito ucraniano, após a recepção de embaixadores da Alemanha, França e Reino Unido no Ministério das Relações Exteriores da Rússia na última semana.
"Eles não trouxeram nada de novo à mesa de negociações. Mas estão insistentemente tentando oferecer seus serviços, demonstrando claramente não quererem ficar à margem do processo", declarou.
Ele destacou ainda que os europeus, na situação atual, estão concluindo erroneamente que a Rússia está perdendo e a Ucrânia está ganhando. "É por isso que acreditam que podem emitir ultimatos na esperança de que a Rússia os aceite", disse.
Segundo o ministro russo, esses cálculos "perseguem objetivos totalmente inadequados e são ilusórios". Confrontando os consensos construídos pelas lideranças europeias, o ministro enfatizou que a crise ucraniana vai além do próprio conflito e afeta princípios gerais de segurança na Europa e globalmente.
"A guerra que o Ocidente desencadeou contra a Federação Russa por meio do regime ucraniano após o golpe, primeiro híbrida e depois aberta, continua. E é necessário fazer todo o possível para garantir que a justiça prevaleça. Acima de tudo, trata-se dos direitos dos russos, dos quais o regime de Kiev tenta privá-los completamente há muitos anos".
- O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado em diversas ocasiões que o país está comprometido em buscar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele ressalta, no entanto, que qualquer acordo deve garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, isso passa por eliminar as chamadas "causas profundas" do conflito, incluindo a expansão da OTAN, vista pelo Kremlin como uma ameaça, e questões relacionadas aos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, além das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022. Também exige o reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sevastopol, como parte da Federação Russa. Além disso, Moscou defende que a Ucrânia adote um status de neutralidade, sem alinhamento militar, com desmilitarização e desnazificação do país.
- Ao longo do último ano, Rússia e Ucrânia realizaram diferentes rodadas de negociações diretas, além de encontros trilaterais com participação dos Estados Unidos. No entanto, o processo de paz acabou ficando estagnado.


