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'Patrocinadores ocidentais de Zelensky impedem rápida resolução do conflito', diz Moscou

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia reafirmou que seu país sempre esteve disposto a resolver o conflito o mais rápido possível por via diplomática.
'Patrocinadores ocidentais de Zelensky impedem rápida resolução do conflito', diz MoscouTom Nicholson / Gettyimages.ru

Os países europeus estão fazendo todo o possível para impedir até mesmo qualquer indício de uma solução rápida para o conflito ucraniano, declarou nesta terça-feira (28) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

"Os patrocinadores de Vladimir Zelensky, sobretudo o Reino Unido e a União Europeia, fazem todo o possível para prolongar o conflito e evitar até o menor sinal de que ele possa terminar em breve", afirmou em entrevista ao portal indiano Firstpost. Segundo ela, Moscou não vê atualmente vontade política em Kiev para a paz; ao contrário, "lá continuam alimentando a ilusão de impor à Rússia uma 'derrota estratégica'".

Zakharova enfatizou que a Rússia sempre esteve disposta a resolver o conflito o mais rapidamente possível por via diplomática. "No entanto, a solução não pode ser um jogo de um lado só, à custa dos interesses do nosso país. Além disso, Kiev, junto com seus patrocinadores ocidentais, não está em posição de nos impor condições", acrescentou.

A diplomata lembrou que, com o objetivo de alcançar soluções consensuais, Moscou mantém diálogo político com Washington. Nesse contexto, afirmou que, embora a parte russa não tenha grandes expectativas, a atual administração dos EUA "ao menos está disposta a ouvir e reconhecer que a Rússia tem interesses vitais no perímetro de suas próprias fronteiras". Segundo ela, essa abordagem permitiu que Vladimir Putin e Donald Trump alcançassem, durante reunião no Alasca no ano passado, "um entendimento mútuo sobre caminhos para resolver o conflito", descrito como o "espírito de Anchorage".

  • O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou reiteradamente que o país está comprometido em encontrar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Segundo ele, é necessário em primeiro lugar garantir a segurança de longo prazo da Rússia, eliminando as causas profundas do conflito, entre elas a expansão da OTAN, vista por Moscou como uma ameaça, e a violação dos direitos da população de língua russa na Ucrânia.

  • A proposta de Moscou prevê que Kiev retire completamente suas tropas das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk e das regiões de Zaporozhie e Kherson (incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022), além de reconhecer esses territórios, bem como a Crimeia e Sebastopol, como parte da Federação Russa. Também estão entre as condições a neutralidade, o não alinhamento, a desnuclearização, a desmilitarização e a desnazificação da Ucrânia.

  • Ao longo do último ano, Rússia e Ucrânia realizaram várias rodadas de negociações diretas, além de encontros trilaterais com a participação dos EUA, mas o processo de paz permanece estagnado.