
Kremlin aponta para maior erro da Europa

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta sexta-feira (19) que o maior erro da Europa é acreditar que deve negociar com Moscou "a partir de uma posição de força".
Peskov citou o presidente russo Vladimir Putin, que afirmou em várias ocasiões que a Rússia está aberta a resolver o conflito diplomaticamente.
"Estamos prontos para manter os contatos, e não fomos nós que pressionamos pela suspensão e pelo rompimento completo desses contatos", enfatizou.
O porta-voz indicou que o bom senso "dita a necessidade de manter os contatos para discutir a vasta gama de questões", incluindo as mais complexas da agenda.

Ele destacou um equívoco fundamental na percepção europeia, que se baseia na premissa de que qualquer negociação com a Rússia deve ocorrer sob uma posição da força, visando capitalizar sobre a suposta fragilidade do Estado russo.
"Este é o maior erro, seja por incompetência europeia, desinformação ou estupidez. Não sabemos ao certo. Mas é um fato", disse Peskov aos repórteres.
O porta-voz do Kremlin enfatizou que essa abordagem não levará a lugar nenhum e que os países europeus fariam bem em se familiarizar com a situação real, inclusive no que diz respeito ao conflito ucraniano.
"E se surgirem forças que compreendam a necessidade de retomar o diálogo com a Rússia — não para dar lições, muito menos para emitir ultimatos, mas para iniciar genuinamente um diálogo que envolva comunicação entre os dois lados — então, é claro, o presidente Putin e o lado russo estarão abertos a isso", ressaltou Peskov.
- O presidente russo, Vladimir Putin, tem afirmado em diversas ocasiões que o país está comprometido em buscar uma solução diplomática para a crise ucraniana. Ele ressalta, no entanto, que qualquer acordo deve garantir a segurança da Rússia no longo prazo. Segundo Moscou, isso passa por eliminar as chamadas "causas profundas" do conflito, incluindo a expansão da OTAN, vista pelo Kremlin como uma ameaça, e questões relacionadas aos direitos da população de língua russa na Ucrânia.
- A proposta russa prevê que Kiev retire completamente suas tropas das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, além das regiões de Zaporozhie e Kherson, incorporadas à Rússia após consultas populares em 2022. Também exige o reconhecimento desses territórios, assim como da Crimeia e de Sevastopol, como parte da Federação Russa. Além disso, Moscou defende que a Ucrânia adote um status de neutralidade, sem alinhamento militar, com desmilitarização e desnazificação do país.
- Ao longo do último ano, Rússia e Ucrânia realizaram diferentes rodadas de negociações diretas, além de encontros trilaterais com participação dos Estados Unidos. No entanto, o processo de paz acabou ficando estagnado.
