O presidente da França, Emmanuel Macron, rejeitou as acusações de fascismo que enfrenta desde o início de sua trajetória política. A afirmação do mandatário ocorreu em entrevista exclusiva ao jornalista Hugo Travers, realizada no Palácio do Eliseu.
"Há dez anos ouço pessoas dizendo que sou fascista. Detesto isso. Nunca rotulei ninguém com base em uma única frase", declarou ele.
Travers perguntou sobre a composição do governo francês e as críticas de que o Executivo teria adotado discursos típicos da extrema direita.
Foi nesse momento que Macron respondeu de forma contundente e defendeu sua gestão diante das acusações de autoritarismo e fascismo que vem recebendo ao longo de sua carreira.
Protestos em massa
A entrevista ocorre em meio a um cenário de fortíssima tensão social na França, marcado por uma onda de protestos em todo o país iniciada em meados de setembro, quando estudantes do ensino médio foram às ruas contra a falta de professores, a superlotação das salas de aula e a deterioração das escolas.
Com o passar do tempo, outros setores da sociedade se juntaram aos jovens, e as manifestações passaram a denunciar também o aumento do custo de vida.
As manifestações nacionais acabaram em saques, incêndios e distúrbios em várias cidades do país.
A onda de insatisfação já se espalhou para outros países. Espanha, Bélgica, Grécia, Portugal, Itália e Albânia também foram palco de protestos que, em alguns casos, resultaram em violência e tumultos.
As causas variam desde a crise habitacional até a deterioração do sistema educacional e o encarecimento dos combustíveis.