O Senado da França aprovou um projeto de lei que estabelece a "responsabilidade financeira coletiva" de manifestantes envolvidos em saques e distúrbios durante protestos, segundo o Public Sénat, o que significa que os participantes poderão ser obrigados a indenizar os prejuízos mesmo que não os tenham causado diretamente.
A medida também poderá ser aplicada àqueles que permanecerem em locais de tumulto depois que a polícia ordenar a dispersão.
O projeto foi aprovado por 229 votos a favor e 105 contra. O texto avançou com o apoio do partido de direita Reunião Nacional, apesar da forte oposição da esquerda, que considera inconstitucionais várias das medidas previstas.
Agora, a proposta seguirá para a Assembleia Nacional, onde nenhum grupo político dispõe de maioria decisiva, informou o jornal Le Monde.
Antes da votação, o governo francês já havia endurecido sua resposta às mobilizações.
O presidente Emmanuel Macron anunciou que manifestações não organizadas por sindicatos seriam proibidas nos dias seguintes. "Sempre que pudermos, vamos proibi-los", afirmou o presidente francês.
Além disso, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu pediu às operadoras de telecomunicações que estivessem preparadas para bloquear o acesso às redes sociais em caso de novos distúrbios.
Do ensino médio às barricadas
Os protestos na França começaram em meados de setembro, quando estudantes do ensino médio foram às ruas contra a falta de professores, a superlotação das salas de aula e a deterioração das escolas.
Com o passar do tempo, outros setores da sociedade se juntaram aos jovens, e as manifestações passaram a denunciar também o aumento do custo de vida.
As manifestações nacionais acabaram em saques, incêndios e distúrbios em várias cidades do país.
A onda de insatisfação já se espalhou para outros países. Espanha, Bélgica, Grécia, Portugal, Itália e Albânia também foram palco de protestos que, em alguns casos, resultaram em violência e tumultos.
As causas variam desde a crise habitacional até a deterioração do sistema educacional e o encarecimento dos combustíveis.