
Protestos na França prosseguem sob forte esquema policial após semana de restrições

As ruas da França estão sendo ocupadas novamente em uma grande mobilização neste fim de semana, enquanto o governo mobilizou um contingente de 70 mil policiais e oficiais de segurança para conter os novos protestos, escaldado diante da escalada da violência no fim de semana anterior.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou exclusivamente à CNN que 135 pessoas foram detidas antes mesmo do início da tarde, muitas após revistas preventivas que apreenderam facas, esmerilhadeiras angulares, máscaras faciais e fogos de artifício.

A operação de segurança incluiu unidades especiais SWAT, helicópteros, veículos blindados, cães policiais e canhões de água. Em Paris, as autoridades alteraram na última hora a rota do protesto, transferindo-o do centro para a periferia sudeste da capital, decisão que gerou confusão e revolta entre manifestantes e sindicatos.
Um porta-voz policial afirmou que a mudança respondeu a "ameaças em evolução", influenciada por um ataque descrito pelo presidente Emmanuel Macron como "terrorista", ocorrido na sexta-feira (23) nos subúrbios de Paris, que deixou um morto e quatro feridos, incluindo uma menina de 12 anos.
Enquanto a principal marcha em Paris transcorreu pacificamente no início, segundo a Reuters, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra multidões em Lyon, terceira maior cidade francesa. A imprensa reportou confrontos entre manifestantes encapuzados e forças policiais na região da Place Jean Macé, próxima à universidade de Lyon.
🇫🇷‼️ PROTESTOS NA FRANÇA PROSSEGUEM Adesão permence alta nas principais cidades francesas em mobilização de pauta ampla contra o aumento do custo de vida e a precarização dos serviços públicos Restrições de Macron e Lecornu saem pela CULATRA: https://t.co/xt2NoOcAwX https://t.co/fGjAmprNL3
— RT Brasil (@rtnoticias_br) October 24, 2026
Em Orleans, milhares de pessoas também se reuniram para protestar contra o partido de Reagrupamento Nacional de Marine Le-Pen, que realizava seu congresso na cidade.
Em chamas
As manifestações se iniciaram há cerca de um mês com protestos estudantis em escolas de ensino médio nos subúrbios de Paris, mas ganharam proporção conforme outras categorias aderiram à mobilização com demandas crescentes, expandindo o escopo do protesto contra o aumento do custo de vida e a precarização dos serviços públicos.
No fim de semana anterior, mais de meio milhão de pessoas protestaram em todo o país, resultando em mais de 2.500 prisões, cerca de mil policiais feridos e mais de 3 mil lojas saqueadas.
Em resposta, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou a imposição de toques de recolher em regiões determinadas do país após uma reunião ministerial de emergência. Na sequência, o presidente Emmanuel Macron, que deixou o país para um giro no Golfo Pérsico a fim de assegurar fornecimento de combustível, segundo justificativas oficiais, decretou a proibição de manifestações não sindicais, afirmando que o governo não concederia permissão de eventos públicos para agentes "sem legitimidade".

