
Retórica anti-Rússia do Ocidente pode enfraquecer o BRICS? Entenda cenário atual

As decisões fazem parte da política de pressão sobre Moscou adotada por países ocidentais desde o início do conflito armado na Ucrânia.

A aliança classifica a Rússia como a principal ameaça direta à segurança de seus integrantes e afirma que Moscou conduz ações híbridas contra países aliados, incluindo operações cibernéticas, sabotagem e campanhas de desinformação.
Essas medidas e declarações ajudam a dimensionar o isolamento que governos ocidentais procuram impor à Rússia.
Mas até que ponto essa pressão consegue limitar a atuação de Moscou em outros fóruns internacionais?
E, sobretudo, a estratégia ocidental pode enfraquecer o BRICS, grupo do qual a Rússia faz parte?
China e Índia: rivalidades não impediram a cooperação
Os dois países mantêm uma disputa fronteiriça histórica, enfrentam desconfiança estratégica e competem por influência na Ásia.
As tensões chegaram a um ponto crítico em 2020, quando confrontos na fronteira provocaram mortes de militares dos dois lados.
Em agosto de 2026, representantes dos dois governos realizaram uma nova rodada de conversas sobre a questão fronteiriça, com compromissos relacionados à manutenção da paz na região, à continuidade das negociações e à ampliação dos mecanismos de comunicação militar.
A rivalidade não desapareceu, mas tampouco impediu a participação dos dois países no BRICS.
O exemplo demonstra que a cooperação dentro do BRICS não depende da resolução de todos os conflitos bilaterais.
Pressão contra Moscou pode aproximar os integrantes?
A pressão ocidental também pode reforçar o interesse de alguns integrantes do BRICS em ampliar alternativas de cooperação econômica e diplomática.
Isso não significa que todos os membros pretendam confrontar os Estados Unidos ou a União Europeia.
Os países do bloco mantêm relações comerciais e diplomáticas próprias com as potências ocidentais, e seus interesses nem sempre coincidem.
Por isso, é importante distinguir duas questões: as tentativas de isolamento internacional da Rússia e a capacidade de funcionamento do BRICS.
Mesmo que Moscou enfrente restrições adicionais, isso não implica necessariamente que os demais integrantes abandonarão a cooperação com o país ou deixarão de atuar em iniciativas comuns.
Eleição no Brasil pode influenciar o futuro do bloco?
Lula prioriza o multilateralismo e a aproximação com países do Sul Global, enquanto Flávio Bolsonaro mantém relações políticas mais próximas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Segundo uma análise publicada pela Reuters em 9 de outubro, uma eventual vitória do senador poderia resultar em uma política externa mais alinhada a Washington.
Uma mudança de governo poderia alterar a intensidade do envolvimento brasileiro em determinadas iniciativas do bloco e a maneira como o Brasil conduz suas relações com Rússia, China e Estados Unidos.
No entanto, uma eventual mudança de orientação diplomática brasileira não significaria, por si só, o fim do BRICS ou o afastamento automático dos demais integrantes.
A continuidade da participação de seus integrantes, os interesses econômicos compartilhados e a disposição para negociar serão fatores importantes para determinar a capacidade de atuação do bloco.



