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O gigante emergente: a Índia pode desafiar a liderança econômica da China?

Segundo as estimativas, a participação da China na economia mundial atingirá um pico de cerca de 20% para depois começar a diminuir na década de 2030.
O gigante emergente: a Índia pode desafiar a liderança econômica da China?Gettyimages.ru

A economia mundial crescerá a uma média de 3,2% ao ano durante a próxima década, abaixo dos níveis anteriores à pandemia, informou a Bloomberg na quarta-feira (23). Os analistas voltam sua atenção especialmente para a China e a Índia, acreditando que, enquanto o primeiro irá desacelerar, o segundo poderá se tornar o novo líder entre os grandes mercados emergentes.

Entre 2026 e 2035, a economia chinesa crescerá a uma média de 3,6% ao ano em comparação com os 5,6% registrados entre 2016 e 2025. Após 2035, espera-se uma desaceleração ainda maior devido ao aumento da dívida, à situação demográfica e a perspectivas menos favoráveis ​​para as exportações.

A Índia, por outro lado, poderá acelerar seu crescimento para 7,7% ante os 5,9% anteriores.

Segundo as estimativas, a participação da China na economia mundial atingirá um pico de cerca de 20% para depois começar a diminuir na década de 2030. Enquanto isso, a nação do sul da Ásia poderá conquistar uma fatia muito maior do mercado.

O que dizem os especialistas?

Ksenia Bondarenko, professora associada da Escola Superior de Economia da Rússia, aponta que a desaceleração das economias desenvolvidas é um fenômeno estrutural relacionado ao enfraquecimento da força de trabalho, do capital e da produtividade, além do envelhecimento da população e do endividamento elevado.

Sobre a China, a especialista considera realista um crescimento médio de 3,6% entre 2026 e 2035, devido à redução da população desde 2022, à elevada carga de dívida, à prolongada crise imobiliária, à deflação e ao conflito comercial com os EUA. No entanto, ela ressalta que ainda é muito cedo para descartar a economia chinesa e alerta que "não se deve subestimar a China", que lidera a indústria de veículos elétricos, baterias, energia solar e robotização. Quanto à Índia, Bondarenko aponta que o país pode se tornar líder entre as grandes economias em termos de ritmo de crescimento, mas não de tamanho: "A China continua sendo de quatro a cinco vezes maior e, em um horizonte de 30 anos, a Índia tem mais chances de superar o Japão e a Alemanha". A especialista acrescenta que ambos os países competem há muito tempo por investimentos estrangeiros e pela liderança no Sul Global, embora seus modelos sejam distintos: Pequim se apoia na indústria e nas exportações, enquanto Nova Délhi depende mais de serviços e da demanda interna.

Do conflito à aproximação

Paralelamente a essa competição econômica, as relações entre os dois países mostram sinais de melhora.O presidente chinês, Xi Jinping, viajou a Nova Délhi este mês para participar da XVIII Cúpula do BRICS realizada nos dias 12 e 13 de setembro. Foi sua primeira visita ao país vizinho desde 2019.

O embaixador da China na Índia, Xu Feihong, declarou que Pequim trabalhará em conjunto com Nova Délhi para intensificar a comunicação, fortalecer a cooperação, gerir adequadamente as diferenças e serem bons vizinhos e parceiros que se ajudam mutuamente a alcançar o sucesso.

As relações bilaterais haviam se deteriorado gravemente devido a disputas fronteiriças não resolvidas no Himalaia, à desconfiança histórica e à competição geopolítica.

No entanto, a partir de 2025, uma mudança gradual começou a ser percebida. A retomada dos voos diretos marcou um ponto de virada, seguida pela reabertura do comércio fronteiriço e pela flexibilização da concessão de vistos. No âmbito econômico, Nova Délhi também decidiu relaxar as restrições a investimentos chineses em setores como eletrônica, bens de capital e energia.