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Propaganda anti-Rússia: Saiba como Zelensky e União Europeia mentem ao associar Moscou à extrema-direita global

Imprensa brasileira e ocidental reproduz alegações de Zelensky, fomentada por políticos europeus que já admitiram e se desculparam pela propagação de informação falsa, de que Moscou estaria por trás de bots que disseminam ódio e polarização política, contrariando dados estatísticos que mostram que ao longo de 2026 quase metade do tráfego global de bots veio dos Estados Unidos.
Propaganda anti-Rússia: Saiba como Zelensky e União Europeia mentem ao associar Moscou à extrema-direita globalRT Brasil

A Ucrânia atacou, nos últimos dias, três centros de dados da Yandex, gigante tecnológica russa frequentemente chamada de "Google russo".

Após as ofensivas, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, associou os ataques a uma suposta redução de bots nas redes sociais e utilizou o episódio para sustentar que a Rússia estaria por trás de campanhas de ódio, divisão política e provocações na internet.

"Quando começamos a responder à operação da Rússia contra nossos centros de dados, e quando nossos ataques atingiram os centros de dados da Yandex, de repente ficou um pouco mais fácil respirar em muitas plataformas de redes sociais.[...] Isso comprova, mais uma vez, que a Europa não é a origem dos problemas. A Europa não é quem torna tudo mais difícil", afirmou Zelensky.

A declaração, porém, é enganosa e estabelece uma relação causal que os dados citados não demonstram.

A queda no tráfego automatizado de uma rede tecnológica russa não comprova, por si só, a interrupção de operações de influência política, muito menos identifica quem controla as contas que publicam mensagens nas redes sociais.

Imprensa brasileira propaga desinformação

Jornalistas e influenciadores brasileiros disseminam informações enganosas sobre suposta queda de bots pró-Trump e pró-AfD após ataques ucranianos à Rússia, associando essas redes à atuação de Moscou.

O jornalista Ricardo Noblat, do Metrópoles, compartilhou no X uma manchete do jornal francês Le Parisien, publicada na segunda-feira (12), intitulada: "'Isso é revelador': Kiev destrói datacenters russos; atividade de bots pró-Trump e pró-AfD despenca nas redes sociais. A Ucrânia decidiu retaliar os ataques russos aos seus centros de dados, atacando os de Moscou. Ao mesmo tempo, as atividades de bots que promovem discursos conservadores nas redes sociais caíram drasticamente (Le Parisien)."

Já Sam Pancher, também jornalista do Metrópoles, publicou um vídeo do líder do regime de Kiev, no qual ele faz acusações contra Moscou. 

Ao comentar o conteúdo, Pancher escreveu: "O Efeito Borboleta potencial disso aqui é real".

Na mesma segunda-feira (12), o escritor e colunista do jornal O Povo Fabio Reis publicou um vídeo no X afirmando que a "Rússia apoia Flávio Bolsonaro".

No entanto não há, até o momento, qualquer anúncio público do governo russo declarando apoio a um candidato específico nas eleições brasileiras de 2026.

EUA lideram número de boots

Os dados do Cloudflare Radar para os últimos 12 meses mostram os Estados Unidos na liderança mundial do tráfego automatizado de bots, com 42,3% do total registrado na captura analisada.

A Rússia aparece com apenas 1,2%, uma diferença expressiva entre os dois países.

O indicador contabiliza requisições automatizadas identificadas pela infraestrutura da Cloudflare, independentemente de sua finalidade.

Isso inclui desde robôs legítimos, utilizados por mecanismos de busca para indexar páginas, até outras formas de automação que podem ter objetivos maliciosos.

Os dados evidenciam que o volume geral de tráfego automatizado não pode ser utilizado como prova direta de que supostos bots políticos pró-russos são responsáveis por campanhas de ódio ou de que sua atividade caiu após os ataques.

Para demonstrar essa relação, seriam necessários dados específicos sobre contas e operações alegadas.

Os dados da Cloudflare podem incluir desde robôs do Google que indexam páginas e ferramentas automatizadas de empresas até bots maliciosos.

Isso não significa que todo o tráfego registrado esteja relacionado à propaganda política, nem que os robôs sejam necessariamente controlados por pessoas ou organizações do país de origem do tráfego.

Empresa europeia e Grok desmascaram Zelensky 

O portal polonês Niebezpiecznik, especializado em cibersegurança, contestou na segunda-feira (12) na rede X as narrativas de Zelensky e da imprensa ocidental contra a Rússia.

O portal citou três instituições alemãs que negaram ter identificado uma redução na atividade de contas que pudesse ser explicada pelos ataques à Yandex: o Centro de Monitoramento, Análise e Estratégia (CeMAS), o Instituto Hasso Plattner e o think tank Polisphere.

Segundo a publicação, os dados coletados na Alemanha não indicaram diminuição nem na atividade dos bots existentes nem na criação de novas contas.

Já o Grok, inteligência artificial da rede social X, foi questionado por um usuário na segunda-feira (12) sobre o suposto motivo da "queda de bots russos no mundo e no Brasil".

Na resposta, a ferramenta explicou que a redução está relacionada ao tráfego automatizado da rede Yandex após os ataques ucranianos aos centros de dados russos.

"Dados do Cloudflare mostram a queda, mas especialistas apontam que são principalmente crawlers de busca da Yandex, não bots de desinformação em redes sociais", afirmou a ferramenta.

O Grok também destacou que não há evidências claras de um impacto específico sobre bots no Brasil.

Alemanha desmente gráfico

Em outra interação, uma usuária questionou o Grok sobre a suposta queda na disseminação de publicações favoráveis à extrema-direita alemã, especialmente ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD), após os ataques aos centros de dados da Yandex.

A ferramenta afirmou que não há evidências concretas de que as ofensivas tenham provocado uma redução relevante na atividade de bots ou no engajamento de publicações pró-AfD.

O Grok também contestou a origem da narrativa, ao apontar que a alegação se baseou em uma imagem viral sem fonte ou metodologia verificável, que relacionava a suposta queda de atividade do AfD aos ataques contra a infraestrutura russa.

Segundo a ferramenta, checagens do portal alemão BR24 e análises do CeMAS não identificaram evidências de uma redução significativa em publicações, curtidas ou bots associados ao partido.

Pedidos de desculpas

O analista polonês Jarosław Wolski publicou no X nesta terça-feira (13) um pedido de desculpas após divulgar um gráfico falso que sugeria uma queda de 56% na atividade de bots associados ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

A publicação relacionava a suposta redução aos ataques ucranianos contra centros de dados da Yandex, na Rússia, e alcançou milhões de visualizações antes de ser removida.

Wolski reconheceu que havia divulgado informações falsas e afirmou que o gráfico original, em alemão, foi gerado por inteligência artificial.

Ao justificar a retratação, citou as conclusões do Centro de Monitoramento, Análise e Estratégia (CeMAS), do Instituto Hasso Plattner e do think tank Polisphere, que não identificaram uma queda duradoura e mensurável nas publicações pró-AfD.

"Assumo total responsabilidade pelo que fiz e, de forma simples e humana, sinto vergonha por tê-los desinformado", declarou o analista. 

"A partir de agora, em temas não estritamente relacionados a assuntos militares, adotarei o princípio de fornecer referências ou fontes originais sempre que possível. Ou de indicar claramente a ausência/falta de fonte clara de informação, de modo que isso fique visivelmente evidente no post", finalizou.

Zelensky condecora neonazista com maior honraria da Ucrânia

Fatos históricos, no entanto, demonstram que apoios explícitos a movimentos de extrema-direita e neonazistas partem do próprio líder do regime ucraniano, apoiado por seus financiadores da Europa ocidental.

Vladimir Zelensky, concedeu a Andriy Biletsky, fundador do batalhão Azov em 2014 e atual comandante do 3º Corpo de Exército ucraniano, o título de Herói da Ucrânia, acompanhado da Ordem da Estrela de Ouro, uma das mais altas distinções do país. A entrega da condecoração ocorreu em agosto de 2026.

Biletsky tem um histórico ligado à extrema-direita ucraniana e fundou o Azov, formação militar cujos primeiros integrantes incluíam militantes neonazistas.

A condecoração coloca em evidência a relação entre o governo de Zelensky e uma figura associada às origens desse movimento, em meio ao debate internacional sobre a presença de grupos ultranacionalistas na Ucrânia.