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Genocídio silencioso: Díaz-Canel reafirma perseverança de Cuba contra bloqueio 'criminoso' dos EUA

"Cuba é a nação que está sujeita a um bloqueio econômico há mais tempo, e não por qualquer Estado, mas pela maior potência mundial, que controla o comércio, as finanças e a economia", destaca o presidente cubano.
Genocídio silencioso: Díaz-Canel reafirma perseverança de Cuba contra bloqueio 'criminoso' dos EUAGettyimages.ru / Hector Vivas

Entrevistado pela Folha de S.Paulo na semana passada, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que os Estados Unidos promovem um "genocídio silencioso" contra Cuba através de um bloqueio econômico intensificado desde maio pelo governo de Donald Trump, que impede a entrada de combustível e insumos no país.

"Cuba é a nação submetida há mais tempo a um bloqueio econômico, e não de um Estado qualquer, mas da principal potência do mundo, que rege o comércio, as finanças e a economia", afirmou Díaz-Canel.

O presidente afirma que, em sete meses, apenas um navio petroleiro entrou no país, trazendo 100 mil toneladas da Rússia, enquanto Cuba necessita de sete navios mensais. A escassez provocou apagões que ultrapassam 20, 30 e às vezes 40 horas, além de blecautes completos cuja recuperação leva dias.

Reforçado por sanções secundárias que punem empresas de qualquer país que se relacionem com Cuba, o bloqueio energético paralisa a economia e serviços essenciais, provocando consequências humanitárias severas.

A estratégia de pressão máxima exercida pelos EUA contra a ilha, contudo, não é uma exclusividade lógica ou histórca aos olhos de Díaz-Canel. "O que pode acontecer com Cuba hoje, e o que já aconteceu na Venezuela e em Gaza, pode acontecer com qualquer nação", declarou.

Nenhuma concessão

O presidente rejeita, contudo, que Cuba esteja vivendo uma situação de "colapso". "Estamos em uma situação complexa, mas com uma enorme criatividade, que se soma à heroica capacidade de resistência do povo cubano", reafirmando que o governo e a população seguem em luta ativa para superar as adversidades impostas.

Para contornar o cerco, o parlamento cubano aprovou há dois meses um pacote com 176 medidas econômicas que abrem espaço inédito ao setor privado.

Empresários podem ter mais de dois negócios com mais de cem empregados, possibilitando conglomerados. Ações poderão ser negociadas livremente e companhias estrangeiras podem explorar terras por até 99 anos.

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À entrevista, Díaz-Canel rejeita acusações de que as reformas representem concessões a Washington ou abandono do socialismo.

"Os EUA não têm moral para nos pedir nenhuma concessão, nem nós estamos dispostos a fazê-las", declarou, enfatizando que as medidas resultam de um debate de mais de dez anos. O presidente admite insatisfações com burocracia, mas insiste que "a principal causa do que vive Cuba hoje é o bloqueio".

"Sem ele, teríamos combu stível e não teríamos apagões. Haveria alimentos. Produziríamos os medicamentos de que precisamos. O que estão fazendo é realmente um crime."

O cerco contra Cuba

Washington mantém um embargo econômico e comercial contra a ilha há mais de seis décadas. Desde que Trump assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2015, o governo dos EUA intensificou suas medidas para sufocar Cuba.

Essa política extraterritorial tem sido acompanhada de sérias ameaças, nas quais Trump expressou sua  disposição de usar a força, se necessário, para derrubar o governo cubano, que denuncia essas ações como um "genocídio".

O governo Trump, que mantém uma presença militar ativa no Caribe com tropas do Comando Sul dos EUA, admitiu repetidamente que seu objetivo é impedir que Havana tenha qualquer tipo de renda econômica e até mesmo bloquear o fornecimento de petróleo, essencial para suas necessidades energéticas.

A situação está afetando gravemente a economia da ilha, que nos últimos meses sofreu o impacto de um bloqueio multidimensional reforçado por inúmeras medidas coercitivas da Casa Branca, e está comprometendo serviços fundamentais como combustível, eletricidade, saúde, educação, transporte, alimentação e turismo.