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Presidente de Cuba rejeita que reformas respondem a pressões e defende soberania

Miguel Díaz-Canel explicou o curso das transformações na ilha diante do bloqueio dos EUA.
Presidente de Cuba rejeita que reformas respondem a pressões e defende soberaniaGettyimages.ru / Hector Vivas

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, detalhou nesta quinta-feira (30), o rumo das transformações econômicas e sociais implementadas na ilha para enfrentar os ataques mais recentes dos EUA, sem comprometer as conquistas sociais da Revolução Cubana.

"As transformações que estamos implementando hoje não visam a mais capitalismo, mas sim a defender e avançar na construção do socialismo, um socialismo que coloca o ser humano no centro de seu trabalho", declarou o presidente em seu discurso à Assembleia Nacional do Poder Popular.

Em um esforço para esclarecer o impacto das medidas, ele reiterou que a recuperação econômica e social "devem andar de mãos dadas". "Em outras palavras, a eficiência econômica deve servir à justiça social", observou, antes de descartar o estabelecimento de um modelo capitalista em Cuba.

Capitalismo predatória

"Não vamos estabelecer um capitalismo predatório ou uma privatização massiva de ativos nacionais, como alguns temem. Nada poderia estar mais longe do significado dessas transformações. Não haverá — e isso precisa ficar absolutamente claro — privatização da saúde, da educação, da ciência , da cultura e dos serviços estratégicos da nação. O que existe é a vontade política de recuperá-los, de gerar renda e riqueza para elevá-los a níveis mais altos de qualidade, gratuitos e universalmente acessíveis", afirmou ele.

Em contrapartida, Díaz-Canel definiu as transformações como "o equilíbrio necessário para preservar as conquistas sociais" que definem a Revolução Cubana, ao mesmo tempo que se abre "espaço para as iniciativas e a criatividade de que a economia cubana precisa para prosperar".

"Prioridade estratégica"

O presidente insistiu que, embora as transformações "implicam mudanças que não estão isentas de riscos", a sua "implementação efetiva (...) constitui uma prioridade estratégica para a nação". Afirmou ainda que este processo será "gradual", demandando aprendizagem e também estar "ciente" de que, possivelmente, algumas coisas não correrão conforme o planejado.

Ele acrescentou que, das 176 reformas aprovadas, 120 "já estão prontas para serem implementadas" . Segundo ele, essas são as reformas que "promovem a liberalização das forças produtivas, fortalecem o sistema empresarial — tanto estatal quanto não estatal — como uma rede empresarial integrada ao nosso modelo econômico e social, com relações harmoniosas entre si, e facilitam a autonomia dos municípios e da Empresa Estatal Socialista".

Da mesma forma, afirmou que as transformações são resultado de um processo interno iniciado em 2011, com a aprovação das diretrizes de política econômica no VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, e não respondem de forma alguma a pressões ou imposições de Washington.

"Como já afirmamos, e quero reiterar categoricamente mais uma vez: essas transformações não estão sendo adotadas para agradar aos Estados Unidos, nem respondem a quaisquer demandas decorrentes do limitado processo de diálogo que conduzimos durante esse período. Elas são o resultado de uma decisão soberana de Cuba", declarou ele.