
'Cuba não ameaça, nem desafia, mas também não teme', declara Díaz-Canel

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou em uma publicação na terça-feira (12) que seu país não representa uma ameaça nem pretende desafiar nenhuma outra nação, mas também "não teme" enfrentar qualquer agressão externa.
Sua declaração surge após uma nova onda de ameaças e sanções por parte dos EUA.

"Cuba não ameaça, nem desafia, mas também não teme", destacou o presidente, destacando que "em mais de seis décadas de Revolução socialista, a 90 milhas dos EUA, nunca saiu desse território uma única ação ofensiva contra a segurança nacional daquele país".
"De qualquer forma, e isso está comprovado, documentado e até mesmo reconhecido por organismos internacionais e agências norte-americanas de governos anteriores, Cuba tem contribuído com os EUA para preservar sua segurança no combate a crimes transnacionais de diversa natureza", destacou.
"Incoerente e fantasioso"
Díaz-Canel destacou que, nesse período, "Cuba tem sido alvo de inúmeras ações ofensivas arquitetadas a partir desse território, em todos esses anos de Revolução, que deixaram milhares de cubanos feridos ou mortos", o que obrigou Havana a "trabalhar durante todo esse tempo para enfrentar com firmeza e serenidade as ameaças que chegam" de Washington. "Assim continuaremos até as últimas consequências", advertiu.
"Apontar Cuba como uma ameaça é, em primeiro lugar, cínico. Tanto pelo que a história comprova quanto pelo que os fatos mostram neste momento: todos os dias surge uma nova ameaça dos EUA contra Cuba", denunciou o líder socialista.
Díaz-Canel acrescentou ainda que apontar a ilha como "ameaça, enquanto se decretam medidas coercitivas adicionais e se acusa seu governo de ser incapaz de sustentar minimamente sua economia, é tão incoerente e fantasioso que nem mesmo aqueles que promovem essa tese são capazes de sustentá-la com argumentos sólidos".
O presidente alertou que "tudo isso faz parte de uma narrativa criada para continuar sufocando o povo cubano, além de escalar um conflito que poderia ter consequências inimagináveis" para os dois povos e para toda a região.
Ameaça dos EUA a Cuba
- Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi agora reforçado com inúmeras medidas coercitivas e unilaterais por parte da Casa Branca.
- Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo Washington, Cuba representaria para a segurança dos Estados Unidos e da região. O texto acusa o governo cubano de se aliar a "inúmeros países hostis", de abrigar "grupos terroristas transnacionais" e de permitir a implantação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
- Com base nisso, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que vendem petróleo à nação caribenha, além de ameaças de retaliação contra aqueles que agirem contra a ordem executiva da Casa Branca.
- A medida é tomada em meio a uma escalada entre Washington e Havana, que, sistematicamente, tem rejeitado essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
- No dia 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", acrescentando que o país está chegando "ao fim da linha".
- Em maio, o gabinete do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou novas medidas coercitivas unilaterais contra Havana. Cuba classificou a mais recente investida de Washington como um "castigo coletivo" que pretende "submeter toda a população cubana à fome e ao desespero".

