
Investimento em educação e ciência fortaleceu resistência de Cuba ao bloqueio, diz Mônica Valente

Cuba conseguiu manter políticas públicas de saúde e educação e desenvolver capacidade científica própria apesar de mais de seis décadas de bloqueio e sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, afirmou Mônica Valente em entrevista à RT.
Secretária-executiva do Foro de São Paulo, espaço de articulação política entre partidos da América Latina e do Caribe, Valente acompanha debates sobre integração regional, soberania e cooperação entre os países da região.

Ao analisar a situação cubana, ela apontou os investimentos estatais em ensino, pesquisa e tecnologia como base da resistência do país às restrições de Washington.
Segundo Valente, as medidas adotadas pelos Estados Unidos atingem o acesso de Cuba a combustíveis, recursos e produtos importados, com consequências para a população e para diferentes setores da economia.
"Agora, a situação lá é muito grave, porque hoje os Estados Unidos cometem um genocídio lento contra o povo cubano. O que Israel fez na Palestina com as bombas, Trump está fazendo com o povo cubano por meio das sanções, do bloqueio e das restrições ao recebimento de combustível", pontou.
Políticas públicas mantidas sob bloqueio
Valente afirmou que, mesmo diante das restrições econômicas, Cuba estruturou sistemas públicos de saúde e educação destinados à população. Para a dirigente, os resultados alcançados pelo país devem ser analisados em conjunto com as limitações impostas ao comércio e à entrada de recursos.
A secretária-executiva relacionou as dificuldades econômicas da ilha à escassez de riquezas minerais e aos efeitos do bloqueio sobre a capacidade de receber investimentos e desenvolver atividades econômicas.
"Eles são pobres porque não dispõem dessas riquezas econômicas e porque o bloqueio impede que recebam recursos e desenvolvam, por exemplo, a indústria turística, que foi muito forte alguns anos atrás", explicou.
De acordo com Valente, as restrições também comprometem o funcionamento de empresas estrangeiras instaladas em Cuba, principalmente diante dos obstáculos para importar produtos.
Restrições atingem o setor turístico
Ao abordar o turismo, a dirigente citou a situação da rede espanhola de hotéis Meliá. Segundo o relato apresentado por ela, a empresa deixou de reunir condições para importar os produtos necessários à manutenção de suas operações no país.
"Soube esta semana, por exemplo, que a rede espanhola de hotéis Meliá teve que se retirar de Cuba. A empresa possui vários hotéis no país, mas não consegue mais importar os produtos necessários para manter em funcionamento um hotel de qualidade", afirmou.
Valente afirmou que o turismo representa uma possibilidade de geração de recursos para Cuba, mas encontra limitações decorrentes do bloqueio.
Ciência sustenta resposta cubana à pandemia
A capacidade científica de Cuba também foi apontada por Valente como resultado de uma política de investimento mantida ao longo de vários anos. Ela destacou o desenvolvimento de uma vacina contra a Covid-19 durante a pandemia.
"Veja a façanha realizada por Cuba em 2020 e 2021, quando criou, por seus próprios meios, a primeira vacina latino-americana contra a Covid-19", sublinhou.
A dirigente comparou o trabalho realizado pela indústria farmacêutica cubana com a produção de laboratórios internacionais que dispõem de mais recursos para pesquisa.
"Pfizer, AstraZeneca e outros grandes laboratórios globais dispõem de enormes investimentos em ciência, mas a BioCubaFarma (Grupo das Indústrias Biotecnológica e Farmacêutica de Cuba) e essas grandes empresas farmacêuticas, as chamadas Big Pharma, desenvolveram suas vacinas contra a Covid-19 quase simultaneamente", explicou à RT.
Para Valente, a produção da vacina demonstrou os resultados da formação de profissionais e da estrutura científica construída pelo país.
"Como Cuba consegue fazer isso? Consegue porque investiu durante anos em ciência, tecnologia, educação e intercâmbio acadêmico", finalizou.


