
Cuba responde às novas sanções dos EUA

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou a nova rodada de sanções anunciada nesta quinta-feira (20) pelo Departamento do Tesouro dos EUA contra funcionários do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e diversas entidades públicas como resultado da "obsessão fracassada contra Cuba" do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo o chanceler, as medidas buscam afetar "deliberadamente" a economia do país caribenho e "impedir" que suas autoridades "garantam os serviços básicos à população".

"O secretário de Estado dos EUA,[Marco Rubio], continua punindo empresas cubanas com o propósito deliberado de afetar nossa economia e impedir que o governo de Cuba garanta os serviços básicos à população, que já se encontram em uma situação crítica em decorrência do bloqueio", denunciou o diplomata em seu perfil no X.
Rodríguez explicou que, "em particular", a nova restrição econômica e financeira "dificulta o transporte de contêineres com alimentos, medicamentos e dispositivos médicos, adquiridos em sua maioria por mipymes — micro, pequenas e médias empresas — privadas cubanas".
Segundo o chanceler, em sua "obsessão fracassada contra Cuba", Rubio decidiu incluir "dirigentes e funcionários do ICAP, instituição que há mais de seis décadas promove a amizade, a solidariedade internacional, a justiça e a paz", valores que representam "exatamente o contrário do que o [atual] secretário de Estado sempre promoveu em sua política corrupta".
Novas sanções
Na lista divulgada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC), órgão vinculado ao Departamento do Tesouro norte-americano, figuram o Ministério da Construção de Cuba (MICONS), o Grupo Empresarial Geominero Salinero, a importadora e comercializadora de metais METALCUBA, a Empresa de Níquel "Comandante Ernesto 'Che' Guevara", a comercializadora CONSUMINPORT, vinculada ao Grupo Empresarial de Comércio Exterior da ilha, a TRANSIMPORT, que comercializa peças de veículos e motores, e a Corporação de Abastecimento ao Turismo (CORATUR).
Além disso, Washington incluiu na lista de Nacionais Especialmente Designados os funcionários do ICAP Fernando González Llort, Leima Martínez Freire e Noemí Ramona Rabaza Fernández. A inclusão na lista implica, entre outras medidas, a proibição de cidadãos e empresas dos EUA realizarem negócios com os sancionados.
Cerco dos EUA contra Cuba
Em 29 de janeiro, o presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" diante da suposta "ameaça incomum e extraordinária" que, segundo a Casa Branca, Cuba representaria para a segurança dos EUA e da região. O texto acusa o governo cubano de se alinhar a "diversos países hostis", abrigar "grupos terroristas transnacionais" e permitir a instalação na ilha de "sofisticadas capacidades militares e de inteligência" da Rússia e da China.
Com base nessas alegações, foi anunciada a imposição de tarifas aos países que venderem petróleo a Cuba, além de ameaças de represálias contra aqueles que agirem em desacordo com a ordem executiva da Casa Branca.
A medida ocorre em meio a uma escalada das tensões entre Washington e Havana, que tem rejeitado reiteradamente essas alegações e advertido que defenderá sua integridade territorial. O presidente de Cuba respondeu que "esta nova medida evidencia a natureza fascista, criminosa e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais".
Em 7 de março, Trump anunciou que "uma grande mudança chegará em breve a Cuba", que, acrescentou, está chegando "ao fim do caminho".
Os EUA mantêm o bloqueio econômico e comercial contra Cuba há mais de seis décadas. O embargo, que afeta gravemente a economia do país, foi reforçado recentemente com diversas medidas coercitivas e unilaterais.

