
Putin e Trump conversam por telefone

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, conversou por telefone neste sábado (4) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O contato ocorre no mesmo dia das celebrações pelos 250 anos da independência dos EUA.

O assessor presidencial russo Yuri Ushakov afirmou que "a conversa telefônica de hoje entre os dois chefes de Estado começou com uma saudação pessoal do presidente Vladimir Putin a Donald Trump e a todo o povo americano pela data comemorativa. Ele também lembrou a contribuição da Rússia para a formação do Estado americano".
A quarta conversa entre os dois líderes desde o início do ano durou 1 hora e 25 minutos. Ushakov classificou o diálogo como "profissional e muito construtivo".
"Ela permitiu discutir de forma franca os temas atuais da agenda bilateral e internacional", acrescentou.
Segundo o assessor, Putin e Trump "destacaram a importância de tratar com cuidado os capítulos da história em comum" que unem os dois países.
"É claro que, hoje, os Estados Unidos celebram amplamente o Dia da Independência. Tudo isso ocorre de forma grandiosa e em grande escala, como Donald Trump sabe organizar. E, naturalmente, nosso presidente fez referência a isso", observou Ushakov.
Os presidentes abordaram o tema da solução do conflito ucraniano, levando em conta a próxima participação de Donald Trump na cúpula da OTAN na Turquia nos dias 7 e 8 de julho.
"O presidente dos Estados Unidos voltou a confirmar sua disposição de contribuir para o cessar das hostilidades o mais rápido possível e para a busca de soluções pacíficas para superar a crise. Seus representantes especiais, Steve Witkoff e Jared Kushner, continuarão os esforços de mediação e estarão dispostos a viajar a Moscou em um momento conveniente", detalhou Ushakov.
Do lado russo, voltou-se a destacar a preferência por uma solução política e diplomática do conflito, com a consideração obrigatória das conhecidas posições de princípio de Moscou, explicou.
"Entretanto, Kiev e seus patrocinadores europeus apostam em prolongar e até escalar o conflito, assim como no terrorismo contra a população civil. Ao mesmo tempo, o partido europeu da guerra parte de uma percepção equivocada da situação geral e do estado de coisas na linha de combate", argumentou o assessor.
Segundo Ushakov, Putin "esboçou o quadro da situação real no campo de batalha, onde as Forças Armadas russasavançam com segurança, liberando uma localidade após outra".
"Uma etapa importante da libertação de todo o território da República Popular de Donetsk foi o estabelecimento do controle sobre um ponto-chave de apoio das Forças Armadas da Ucrânia, como Konstantinovka. E, por mais que o regime de Kiev se agarre às áreas fortificadas restantes, nosso Exército inevitavelmente as tomará", afirmou.
Oriente Médio
Segundo Ushakov, a conversa também abordou a situação no Irã e no Oriente Médio como um todo.
"Ao abordar a situação em torno do Irã, Vladimir Putin expressou a esperança de que o processo de negociação com base no memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã permita encontrar soluções duradouras e mutuamente aceitáveis sobre as questões-chave do acordo", afirmou o assessor.
Além disso, foi confirmada a disposição de Moscou de prestar ajuda prática aos esforços de desescalada e estabilização da situação na região.
"Donald Trump, por sua vez, agradeceu à parte russa pela posição equilibrada e pelas propostas construtivas", informou.
Cooperação bilateral
Ao falar das relações bilaterais, os presidentes destacaram a importância de ampliar contatos, inclusive em questões político-militares e econômicas.
"Aqui se vislumbram perspectivas colossais de cooperação mutuamente benéfica entre nossos países. Para isso, sublinhou Donald Trump, seria necessário encerrar o conflito ucraniano o quanto antes", acrescentou Ushakov.
Na conversa, foi destacado um ato simbólico que ocorrerá nos próximos dias no cosmódromo de Baikonur: o lançamento de uma tripulação conjunta russo-americana rumo à Estação Espacial Internacional.
"Este é um exemplo concreto que confirma que duas potências estão interessadas em trabalhar juntas de forma estreita, inclusive nos âmbitos mais sensíveis", avaliou Ushakov.
Isso também se refere à esfera da cultura, que une povos "que têm simpatia mútua", continuou.
"Donald Trump, por sinal, mencionou que pessoalmente admira o [museu] Hermitage de São Petersburgo", acrescentou.
Também foi abordado o tema do futebol. Putin, levando em conta a experiência russa de 2018, desejou que a realização da Copa do Mundo continue com sucesso.
Os presidentes concordaram em manter contato e voltar a conversar "já em um futuro próximo", afirmou o assessor.
"Nosso presidente lembrou que Donald Trump tem um convite permanente para visitar a Rússia", acrescentou.
Nesse sentido, Ushakov recordou que anteriormente, por ocasião do Dia da Rússia em 12 de junho, Trump enviou a Putin "uma calorosa mensagem de felicitações".
"Nela, Donald Trump prestou, cito, homenagem à rica história e cultura de nosso país, bem como à firmeza do povo russo", disse.
De acordo com Ushalov, a Casa Branca foi responsável por tomar a iniciativa da ligação telefônica.
"A parte russa foi a iniciadora do contato telefônico anterior em 14 de junho, dia do 80º aniversário de Donald Trump. E desta vez foram os parceiros norte-americanos que propuseram manter a conversa justamente no dia da celebração do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos. E isso diz muito", resumiu.
Mensagem pelo aniversário da independência
Em uma carta divulgada anteriormente por ocasião da data, Putin lembrou que "a Rússia apoiou incondicionalmente os colonos norte-americanos em sua luta pela liberdade do domínio britânico". O presidente russo destacou que, "ao longo dos últimos dois séculos e meio, numerosas páginas gloriosas foram escritas na história das relações" entre os dois países.
"Fomos aliados em duas guerras mundiais, juntos libertamos a humanidade dos horrores do nazismo e, posteriormente, desempenhamos um papel vital na construção das bases da ordem mundial moderna. Hoje, Rússia e Estados Unidos, como as duas maiores potências nucleares, têm uma responsabilidade especial de garantir a segurança e a estabilidade em escala global", continuou.
"Confio que o estabelecimento de laços construtivos, igualitários e mutuamente benéficos entre Moscou e Washington beneficiará não apenas nossos povos, mas toda a comunidade global", afirmou Putin. "Desejo ao senhor, Donald, e a seus familiares saúde, bem-estar e sucesso, assim como felicidade e prosperidade a todos os cidadãos americanos", concluiu.
Situação na linha de frente
A conversa ocorre em meio ao avanço das forças russas na linha de frente, com a recente libertação da cidade estratégica de Konstantinovka, na República Popular de Donetsk, apontada como uma das mais recentes conquistas de Moscou.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a tomada da cidade é considerada fundamental para alcançar o último bastião defensivo de Kiev em Donbass: a aglomeração urbana de Kramatorsk-Slaviansk.
Enquanto isso, o regime de Kiev mantém os ataques contra a infraestrutura e a população civil da Rússia. Neste sábado, o Ministério da Defesa russo informou que as forças antiaéreas repeliram um novo ataque combinado ucraniano.
Segundo a pasta, foram interceptados dez mísseis de cruzeiro Flamingo, nove foguetes disparados por sistemas lançadores múltiplos HIMARS, de fabricação americana, além de 494 drones.
O ministério afirmou que, com essa ofensiva, o regime de Kiev tentou "desviar a atenção" dos ucranianos e de seus "patrocinadores estrangeiros" das consequências do ataque russo realizado na última quinta-feira (2) contra instalações militares nos arredores da capital ucraniana, bem como do "colapso catastrófico da defesa" das forças ucranianas em Konstantinovka.





