
México: Lágrimas do mar - RT Reporta
O México guarda um tesouro único sob as águas do Mar de Cortez: suas pérolas, gemas coloridas encontradas em nenhum outro lugar. Em Guaymas, Sonora, pescadores, artesãos e descendentes dos primeiros mergulhadores indígenas preservam uma história secular, enquanto pesquisadores perseguem um objetivo inusitado: cultivar as únicas pérolas desse tipo em toda a América.
Por quase 400 anos, entre os séculos XVI e XX, as pérolas mexicanas foram cobiçadas por reis e nobres europeus, chegando a ser incorporadas às joias da coroa. A exploração excessiva as levou à beira da extinção. Hoje, em Sonora, pérolas raras e belíssimas, com "cores impossíveis", estão sendo descobertas novamente.

Como se forma e se cultiva uma pérola?
Na fazenda "Pérolas do Mar de Cortez", Manuel Nava, diretor de produção, explica que qualquer molusco com concha pode produzir pérolas, mas nem todas são gemas: elas precisam atender a certos critérios de raridade, beleza e durabilidade. No Mar de Cortez, existem dois tipos de ostras perlíferas: a ostra madrepérola e a ostra nacarada.
Nas ostras nacaradas, a luz cria tons iridescentes. A teoria mais aceita afirma que as pérolas se formam como uma defesa contra parasitas: elas podem ser bolhas (presas à concha) ou pérolas livres (redondas). Para estimular sua formação, realiza-se um procedimento que simula o processo natural, criando um pequeno túnel e inserindo uma pequena esfera.
Cultivar pérolas não é uma atividade romântica; é repleta de riscos. O ciclo dura aproximadamente quatro anos. De 100 mil ostras, obtêm-se cerca de 4.000 pérolas (um rendimento de 4%). As conchas precisam ser limpas uma a uma para remover qualquer resíduo e evitar danos. Em mar aberto, tempestades ou ventos podem fazer com que as cestas onde as ostras vivem se percam.




