Cidades sem gente - RT Reporta

Ruas desertas, portas e janelas tapadas com tábuas, salas de aula vazias, atendimento de saúde mínimo, comércios fechados… e silêncio, a cada dia mais silêncio. Cidadãos desesperados por se sentirem abandonados e tratados como um estorvo para o desenvolvimento de negócios “verdes”, uma classificação controversa para muitos ambientalistas. Essa é a situação em muitas regiões da Espanha, com um grave problema demográfico, de desemprego e de precariedade.

A chamada "Espanha vazia" reúne milhares de pequenas localidades que sofrem com um processo contínuo de despovoamento, envelhecimento e perda de serviços públicos.

Em regiões como Terriente, na província de Teruel, o fechamento da padaria, da escola e a redução do atendimento médico ilustram uma realidade marcada pelo abandono.

Com poucos jovens e oportunidades escassas, muitos moradores veem os filhos migrarem para as grandes cidades.

A situação se agravou após os incêndios florestais de 2025, quando moradores denunciaram demora no socorro e sensação de isolamento.

Energia renovável, resistência e um futuro incerto

A expansão de parques eólicos e solares divide opiniões. Proprietários rurais e ambientalistas criticam a ocupação de terras agrícolas e afirmam que os projetos beneficiam grandes empresas, sem reverter a perda de população.

Apesar das dificuldades, parte dos habitantes resiste. Agricultores, pecuaristas e comerciantes mantêm atividades tradicionais, enquanto novos moradores e imigrantes ajudam a revitalizar alguns vilarejos.

Para muitos, preservar a vida no campo significa manter um patrimônio cultural ameaçado. Ainda assim, a combinação de baixa densidade populacional, fechamento de serviços e falta de perspectivas alimenta o temor de que centenas de comunidades desapareçam definitivamente nas próximas décadas.