Ruas de fogo - RT Reporta

Entrar nos bairros de Santo Domingo não é simplesmente atravessar uma rua. Existe como uma barreira invisível que, ao atravessá-la, revela um mundo de carências e violência. Ao percorrer essas comunidades da capital dominicana, fica evidente que, em meio a tanta desigualdade, os habitantes ainda tentam resistir de forma criativa e celebram suas pequenas vitórias. Neste panorama, será a pobreza um destino ou uma consequência direta de um sistema que ainda deixa muitos para trás?

Em bairros operários de Santo Domingo, capital da República Dominicana, como La Gualey e a Rua 42 de Capotillo, a vida se constrói em meio à extrema pobreza, à improvisação e a uma energia incansável.

Em La Gualey, construída às margens do Rio Ozama, as casas são amontoadas e as ruas de terra se transformam em lama quando chove.

Os moradores sobrevivem com qualquer trabalho que encontram: mototaxistas, vendedores ambulantes, operários. Muitos deles nunca tiveram a oportunidade de frequentar a escola e sentem que isso os impede de sair do bairro.

Medo e presença policial

A relação com a polícia é marcada pelo medo. Uma das entrevistadas, Marta Zuelo Guzmán, descreve as operações policiais, os tiroteios e o uso de drogas. Ela afirma que "as balas são disparadas indiscriminadamente" e que pessoas já morreram dentro de suas casas.

O coronel Bismark Hernández, da Polícia Nacional, alerta que, quando uma criança abandona a escola, duas barreiras de proteção são rompidas: a família e o sistema educacional.