México: sinfonia de cores - RT Reporta

No México, a cor se vê, se come, se vive e se respira. Que cores únicas este país ofereceu ao mundo? Que segredos guardam os pigmentos que definem esta nação? A vistosa gama que caracteriza a identidade cultural mexicana reflete um legado centenário de histórias de dedicação e resistência. Bastará a vontade daqueles que mantêm vivas essas tradições para superar os desafios que enfrentam em seu ofício e preservar a herança de seu povo?

No México, cada cor possui um guardião. Para conhecer essas histórias, a correspondente da RT, Pamela Quibec, escolheu um vestido branco e o levou por diferentes regiões, onde camponeses, artesãs e cozinheiras transformaram o tecido usando corantes naturais.

Na península do Yucatán, o pau-de-campeche (ou "pau-tinto") foi uma joia cobiçada pelos piratas entre os séculos XVII e XVIII. Para moradores locais, essa árvore é uma herança sagrada, com poderes curativos e a capacidade de tingir as roupas de um vermelho profundo. Essa cor se entrelaça com a arte de Marisol Zip, que utiliza o pigmento para preservar a memória maia.

A paisagem mexicana oferece corantes únicos. Em Las Coloradas, a dieta dos flamingos à base do crustáceo artemia salina lhes confere um tom rosa vibrante. Nos campos de cultivo, o urucum proporciona um vermelho que, embora essencial para a gastronomia — como na cochinita pibil de Miriam Peraza —, enfrenta a injustiça dos baixíssimos preços de venda que mal chegam a 10 ou 12 pesos por quilo, levando ao abandono das plantações.

Saberes ancestrais e resistência

A viagem segue com o laranja do cempasúchil, flor que, nos mercados da Cidade do México, é cerimonialmente utilizada em oferendas do Dia dos Mortos. Em Oaxaca, a designer Fanny demonstra as técnicas de tingimento a partir das pétalas.

Em Niltepec, o "ouro azul" ou anil é produzido por uma pequena comunidade de famílias que herdaram o ofício há 300 anos, lutando contra a escassez e a falta de apoio. Por fim, em Teotitlán del Valle, a cooperativa DUKUA preserva a cochonilha, um inseto do cacto que fornece o vermelho carmim, usado historicamente pela nobreza.