Pedro Pires: 'Sem ele, sem Fidel Castro, o mundo hoje seria completamente diferente'— Entrevista RT

A luta pela independência de Cabo Verde, assim como outros movimentos de libertação na África, contou com o sólido apoio de Cuba, impulsionado por Fidel Castro. Pedro Pires, figura-chave da emancipação cabo-verdiana, destaca que a formação que recebeu em Cuba não foi apenas militar, mas também contribuiu para fortalecer a consciência patriótica dos jovens de seu país. Em "Entrevista", da RT, ele recorda aqueles anos de luta e relembra seu encontro pessoal com Fidel Castro.

Em entrevista à RT, o ex-presidente de Cabo Verde Pedro Pires relembrou a luta pela independência do país e destacou a influência de Cuba e de Fidel Castro no processo de libertação africana. 

O histórico dirigente do movimento independentista afirmou que os 51 anos de independência representaram uma profunda transformação política, econômica, social e humana para Cabo Verde.

Segundo Pires, a independência, proclamada em 5 de julho de 1975, foi resultado de um processo que esteve diretamente ligado à luta do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) na Guiné-Bissau.

Ele explicou que as vitórias militares e políticas obtidas na Guiné criaram as condições para que Cabo Verde avançasse rapidamente rumo à soberania.

Legado cubano

Pires também recordou sua formação militar em Cuba durante os anos 1960 e afirmou que a experiência teve grande influência em sua trajetória como combatente e posteriormente como político.

Para ele, Fidel Castro foi um importante aliado das lutas de libertação africanas e demonstrou solidariedade com o movimento de Cabo Verde.

O ex-presidente descreveu Fidel como uma pessoa simples, acessível e generosa, lembrando uma visita inesperada do líder cubano ao acampamento onde os combatentes cabo-verdianos estavam em treinamento durante uma tempestade.

Diálogo global

Ao falar sobre o presente, Pires afirmou que Cabo Verde e o mundo enfrentam desafios complexos, marcados por guerras e tensões.

Para ele, o caminho passa pelo diálogo sincero e pela busca de soluções que levem em conta não apenas interesses nacionais, mas também o bem-estar da humanidade.

"Temos de chegar a um entendimento em que o fundamental é o diálogo", afirmou, defendendo que essa postura deve orientar tanto Cabo Verde quanto outros países.