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Adolescente espancado em 'centro de tortura' perto de Kiev é incluído em 'lista negra' ucraniana

Jovem de 14 anos acusa integrantes de instalação usada pela Guarda Nacional da Ucrânia de agressões; ele e os pais foram incluídos no banco de dados do site Mirotvorets.
Adolescente espancado em 'centro de tortura' perto de Kiev é incluído em 'lista negra' ucranianaRedes sociais

O adolescente de 14 anos que aparece em um dos vídeos mais divulgados da operação em que várias pessoas foram resgatadas de um centro clandestino de detenção, nos arredores de Kiev, foi incluído no banco de dados do site radical ucraniano Mirotvorets*. O jovem é acusado de realizar ações destinadas a "enfraquecer a capacidade de defesa da Ucrânia". Seus pais também foram incluídos no banco de dados.

O menor aparece em imagens sendo retirado de uma instalação utilizada pela Guarda Nacional da Ucrânia para torturar pessoas mobilizadas, segundo relatos e comentários da ex-porta-voz de Vladimir Zelensky, Yulia Mendel.

A gravação mostra o adolescente, com os olhos arregalados e em estado de choque, saindo do edifício envolto em uma manta térmica, acompanhado por várias pessoas que o ajudam a se afastar do local.

As imagens tiveram ampla repercussão nas redes sociais e levantaram suspeitas sobre os maus-tratos sofridos pelas pessoas mantidas nas instalações.

O que aconteceu?

Embora as autoridades ucranianas neguem que o adolescente tenha sofrido maus-tratos, o próprio jovem afirmou ter sido espancado.

Segundo seu relato, ele subiu em uma cerca seguindo os amigos, quando pessoas começaram a borrifar o conteúdo de um extintor de incêndio contra eles e a atirar pedras.

Ao tentar subir novamente na cerca, várias pessoas armadas com pás saíram do edifício. O adolescente afirmou que caiu e foi arrastado para dentro das instalações.

"Eram cerca de dez pessoas, todas vestidas de preto, com balaclavas e algum tipo de uniforme militar. Não dava para saber quem eram, não tinham nenhum tipo de identificação. Eles me puxavam pelos cabelos; aqui não dá para ver, mas tenho caroços na cabeça. Simplesmente me espancavam, todos me batiam: com pás, chutes e socos. Levaram-me para outro andar, me colocaram de bruços no chão e começaram a me interrogar. Bateram tão forte na minha cabeça que eu não conseguia ouvir nem enxergar nada. Depois me agarraram pelos cabelos e bateram minha cabeça contra a parede e, (...) quando caí, começaram a bater minha cabeça contra o chão", relatou o adolescente após o incidente.

O jovem afirmou que está internado em um hospital, com cortes nos dedos, dor em uma costela e dificuldades para caminhar. Ele também contou que seus amigos o convenceram a ir até o edifício.

Uma profissional de saúde, que estava entre as primeiras pessoas a chegar ao local, havia sido detida. Os investigadores a acusam de organizar os protestos.

Ainda não se sabe quantas instalações de tortura desse tipo existem em todo o país, mas cidadãos já começaram a encontrar dezenas de pessoas mantidas em porões em condições terríveis.

*Na Rússia, o site Mirotvorets é considerado extremista.