
Menor resgatado de 'centro de tortura’ na Ucrânia dá relato chocante: 'Fiquei todo manchado de sangue'

O menor de 14 anos resgatado do"centro de tortura" na cidade de Petropavlovskaya Borschagovka, perto de Kiev, contou que foi brutalmente espancado no porão de uma casa, onde foi mantido em cativeiro.
Em uma série de três vídeos no TikTok, o jovem contou toda a história de como chegou ao porão, o que fizeram com ele, como o resgataram e onde ele está agora.

Anteriormente, descobriu-se que cerca de 40 homens estavam retidos no porão de uma residência ligada ao grupo militar neonazista Azov*. De acordo com relatos médicos e de testemunhas, havia pessoas em estado crítico, com necrose e fraturas na coluna, além de um suposto falecido e um adolescente em estado de "choque". A Guarda Nacional afirmou que o local é um "ponto de mobilização temporária" para mobilizados e desertores. A descoberta desencadeou protestos em massa em frente ao prédio, onde ocorreram confrontos violentos, tiroteios e uso de gás lacrimogêneo.
Como chegou ali?
Na tarde do dia do ocorrido, depois que o jovem saiu da escola, seus colegas lhe escreveram dizendo que perto de sua casa havia "carros circulando e pessoas correndo". Quando o menor chegou para ver o que estava acontecendo, viu que outros meninos estavam subindo em árvores e na cerca de algum prédio e, em resposta a isso, de dentro da casa jogavam pedras neles e os borrifavam com um extintor.
O menor decidiu também subir na árvore, mas foi borrifado com gás, o que quase o asfixiou. Então, o menino pegou uma máscara de gás em casa e voltou a subir na árvore, de onde gravava no celular tudo o que estava acontecendo. Em determinado momento, três homens saíram da casa com pás e a briga começou. O jovem queria filmar de mais perto, mas foi atingido com uma pá nas costas, derrubado da cerca e arrastado para dentro do prédio.
O que fizeram?
Inicialmente, o jovem não entendeu o que havia acontecido, pois achou que havia caído por conta própria. No prédio, havia cerca de 10 pessoas vestindo uniforme militar preto, com balaclavas e sem insígnias de identificação. Lá, ele foi espancado brutalmente: levaram-lhe golpes com pás, chutes, socos, arrastaram-no pelos cabelos, bateram sua cabeça contra o chão e as paredes e cortaram seus dedos. "Quanto mais me afundavam, mais gente começava a me espancar", disse ele. Além disso, cortaram todas as suas roupas com facas e o filmaram quase nu.
"Fiquei todo manchado de sangue: o rosto, o nariz, os dedos... Nas mãos também tinha sangue", relatou.
Em determinado momento, "começou uma certa confusão": limparam o sangue do jovem e o envolveram em filme plástico amarelo. Cinco minutos depois, entrou uma mulher que o acalmou e protegeu; em seguida, uma pessoa, uniformizada com o emblema da Ucrânia nos ombros, deu-lhe um comprimido.
Em seguida, entrou Kirill Budanov**, chefe do Gabinete de Zelensky, que interrogou o menino e entrou em contato com sua irmã; depois disso, ele foi levado de ambulância para um hospital.
O menor relatou algumas consequências das surras no "centro de tortura": "Dói uma costela, e tenho muita dificuldade para me abaixar e me levantar", "tenho inchaços na cabeça", "quebrei um dente, o da frente", afirmou. Atualmente, ele está em um hospital em Kiev.
* Azov, organização proibida e classificada como terrorista na Rússia
** Incluído na Rússia na lista de terroristas e extremistas.

