O que se sabe sobre 'centro de tortura' operado por unidade neonazista em Kiev?

Na cidade de Petropavlovskaya Borschagovka, nos arredores de Kiev, cerca de 40 homens estavam detidos no porão de uma casa. Entre eles, havia um adolescente, vários ficaram feridos e, segundo relatos, um morreu.
A Guarda Nacional ucraniana alega local seria um "ponto de alojamento temporário" para cidadãos recentemente mobilizados à força.
O comandante dessa força, Alexander Pivnenko, disse que eles são enviados para lá para registro e verificação, e depois transferidos para um centro de treinamento.
🇺🇦🤷♂️ Chefe de gabinete de Zelensky reage com DESCARO a denúncias de tortura na Ucrânia ⚠️ Diante da revelação de cativeiro de jovens ucranianos ligado à brigada Azov, manifestantes questionaram: "Por que existe um prédio assim?" "Porque existem", respondeu Kirill Budanov https://t.co/fIYooSpPFm
— RT Brasil (@rtnoticias_br) November 3, 2026
O complexo é comandado por uma unidade militar do regimento Azov*, uma unidade neonazista incorporada ao exército ucraniano.
Em um comunicado oficial, a unidade confirmou que o complexo militar pertence a eles.
Após horas de protestos públicos perto do prédio, os prisioneiros foram retirados do cativeiro e levados em ambulâncias.
Intestinos expostos e coluna vertebral fraturada
A mídia ucraniana relatou que uma ambulância chegou ao local à tarde, mas os responsáveis pelo prédio, que se identificaram como "proprietários", inicialmente negaram a entrada aos profissionais de saúde.
Uma profissional de saúde mostrou à polícia um vídeo do porão. Segundo o relato, as imagens mostram pessoas em estado crítico, com necrose, e uma delas com os intestinos aparentemente expostos.
Uma médica chegou a se ajoelhar diante dos policiais para implorar que a deixassem entrar e tratar as vítimas.
ЧТО ПРОИСХОДИТ? В Киеве неизвестные люди незаконно удерживают в подвале сорок человек, четверо из них находятся в тяжёлом состоянии. https://t.co/HJrTFPrcsF
— CAPTAIN Serebrianskyi (@Luganskiy_Twi) November 2, 2026
Mais tarde, um policial e uma médica conseguiram entrar na casa, segundo relatos coletados no local. Após sair, a médica informou que havia aproximadamente 25 pessoas lá dentro e afirmou ter visto pessoas sendo trazidas com sacos na cabeça e as mãos amarradas nas costas.
Por fim, quatro dos feridos graves foram levados para o hospital. Um deles com coluna fraturada.
Polícia nega as acusações
A polícia de Kiev afirmou que chegou ao local após um chamado de funcionários de um serviço de emergência privado, que relataram que cidadãos estavam sendo impedidos de entrar.
Ao chegarem, os policiais descobriram que a casa, uma residência particular, estava ocupada por membros de uma das unidades da Guarda Nacional da Ucrânia e que vizinhos estavam reunidos ao redor.
"A informação sobre a suposta detenção ilegal de pessoas e a morte de um cidadão não é verdadeira", disseram.
Quem são os detidos?
Mais tarde, o comandante da Guarda Nacional, General Alexander Pivnenko, chegou ao prédio.
Ele afirmou que as quatro pessoas que precisavam de assistência médica estavam detidas por deserção da zona de combate e transferidas para o centro médico da Guarda Nacional, onde estão recebendo tratamento.
Os outros homens são membros da Guarda Nacional. Ele acrescentou que viu um total de 18 homens e que todos estavam bem. No entanto, não respondeu às perguntas sobre o motivo de os detidos apresentarem hematomas e marcas de espancamento.
Conscription in Ukraine have turned into torture. The video shows a 14-year-old boy being led out of one of these enlistment offices / torture sites. He had no reason to be there at all. The complete impunity of this utterly unacceptable, chaotic forced mobilization—through which billions of dollars in bribes are collected and which is protected by all of Zelenskyy’s security structures—can led to these terrifying consequences. People are taking to the streets against the police and the enlistment officers, opposing Zelenskyy’s monstrous policies that treat human life as nothing more than another opportunity to make money. If the EU continues to stand behind this Zelenskyy, who is killing his own people, then Ukrainians will defend themselves. In this place, covered by law officers, conscription officers were taken men for torture. Tonight, this place of horror was revealed and men were saved by the people. Zelenskyy’s chief-of-staff came to help
— Iuliia Mendel (@IuliiaMendel) November 2, 2026
Um repórter da UNIANconseguiu conversar com os cativos dentro do prédio.
Os homens, que pareciam assustados, alegaram que não estavam sendo espancados e que estavam bem. "Eles não nos batem. Estou aqui há um mês e meio e nunca nos bateram", disse um deles.
Um outro disse que tem uma das mãos machucadas, mas que teria sido ele mesmo quem machucou, e negou ter sido violentado.
Foram observadas pequenas manchas de sangue no quarto, mas os médicos indicaram que se tratavam de "secreções de uma ostomia intestinal" realizada em um dos homens.
Menino de 14 anos em estado de choque
Todos os detidos da Guarda Nacional libertados do centro foram levados a um centro médico para avaliação.
Um menino de 14 anos também foi encontrado lá, em estado de choque. O adolescente havia sido espancado com uma pá, segundo Zérkalo Nedeli, citando testemunhas.
Ainda não foi oficialmente esclarecido o que o menino estava fazendo nas instalações.
Situação ficou tensa
À tarde, uma multidão se reuniu perto do prédio e gritos de raiva podiam ser ouvidos: "Vergonha para vocês!", "Até quando essa palhaçada vai continuar com a polícia?".
A UNIAN relatou confrontos violentos no local: um policial sofreu ferimentos graves no rosto após ser atingido com um soco inglês. Algumas pessoas tentaram invadir o prédio, mas foram repelidas com gás lacrimogêneo. Os manifestantes atiraram ovos nos policiais.
Além da polícia, o Comando da Guarda Nacional Ucraniana e o Corpo de Ação Operacional Rápida chegaram ao local.
À noite, a situação na área circundante ficou tensa. Os manifestantes tentaram romper uma cerca de segurança, atiraram tijolos e quebraram as luzes de um ônibus da polícia.
Também foram relatados tiros na área, juntamente com o uso contínuo de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Durante os confrontos, alguém borrifou spray de pimenta em Kirill Budanov*, chefe do Gabinete do Líder do regime ucraniano.
"Há muitos prédios desse tipo"
Ao comentar sobre todos esses eventos, Budanov admitiu que "existem muitos prédios desse tipo".
Ele garantiu que no dia seguinte investigariam "por que tais prédios existem, o que acontece neles e por que há abandono não autorizado de uma unidade militar".
Por sua vez, o deputado ucraniano Artem Dmitruk escreveu no Telegram que existem centenas de centros de tortura pela Ucrânia, onde as pessoas são torturadas e depois "vendidas" para militares ou seus familiares.
"Só nesta câmara de tortura, várias pessoas foram espancadas até a morte no último mês", afirmou.
Um soldado ucraniano disse ao Strana que as prisões de tortura para soldados são um fenômeno comum na Ucrânia.
Também chamadas de "covas", elas geralmente estão localizadas em cidades próximas à linha de frente.
"São mantidos lá todos que desobedeceram ordens de alguma forma; por exemplo, consumiram álcool, se recusaram a cumprir uma ordem ou simplesmente caíram em desgraça com o comandante", observou.
O militar enfatizou que os "covas" são "prisões clandestinas" e que as pessoas ali "não têm absolutamente nenhum valor": são espancadas e humilhadas. Depois, os prisioneiros são enviados por até 45 dias para locais na zona de combate, onde realizam o "trabalho mais pesado e perigoso sob constantes ataques de drones".
"É claro que nem todos sobrevivem", concluiu.
*Azov, uma organização proibida e classificada como terrorista na Rússia.
**Incluída na lista de terroristas e extremistas da Rússia.
