
Protestos estudantis na Albânia miram primeiro-ministro, que acusa ameaça à adesão europeia

Protestos violentos sacudiram a Albânia pelo sexto dia consecutivo no domingo (18), mobilizado por estudantes que exigem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama após 13 anos no poder.
Os confrontos começaram na quinta-feira (15) em Tirana, capital do país, e se espalharam por outras cidades, marcados por incêndios a prédios governamentais, ataques com coquetéis molotov e confrontos com a polícia, que respondeu com blindados e dispersão por canhões de água, balas de borracha e gás lacrimogêneo.
⛔️Huge protests for the sixth consecutive day in #Albania, with the entire Supreme Court burned down, and the parliament building and Ministry of Education stormed, while Prime Minister Rama hid away, and the country is effectively in the grip of the rebels. ⛔️This is the Albanian people's resounding rejection of rampant corruption and the selling off of the nation's resources to a company affiliated with Jared Kushner, Trump's son-in-law.
— Dr.Sam Youssef Ph.D.,Ph.D.,DPT. (@drhossamsamy65) October 18, 2026
As sedes dos ministérios do Interior e da Infraestrutura foram alvejadas e a Suprema Corte foi incendiada. Milhares se reuniram diante do Ministério da Educação atirando pedras contra a polícia de choque.

Descontentamento
O movimento começou pacificamente em maio, liderado por ambientalistas do chamado "protesto dos flamingos" contra um empreendimento de luxo ligado a Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.
O projeto, situado na ilha desabitada de Sazan e nas zonas úmidas de Zvërnec-Narta, está localizado em área ambientalmente protegida com espécies como os flamingos que se tornaram o símbolo do movimento. A região recebeu isenções especiais através de mudanças legislativas que favorecem investimentos estrangeiros em turismo de luxo.
"A Albânia não está à venda" se tornou o lema central dos manifestantes, que questionam quem realmente se beneficia do boom turístico do país.
Mais recentemente, a mobilização rapidamente evoluiu para uma revolta mais ampla contra corrupção, custo de vida e o longo mandato de Rama. Na semana passada, estudantes insatisfeitos com os altos custos educacionais e o aumento do custo de vida se juntaram ao movimento, revitalizando os protestos.

A escalada posiciona o país como parte de uma onda maior de manifestações lideradas por jovens em toda a Europa contra o custo de vida, incluindo França, Bélgica, Itália e Portugal. Inspirados pelos eventos franceses, manifestantes albaneses agora falam em "fazer uma revolução", frustratos pela incapacidade de derrubar o primeiro-ministro através de protestos pacíficos.
Ameaça à adesão?
Rama, eleito para um quarto mandato em 2025, recusa a possibilidade de renúncia. Em pronunciamento nas redes sociais, afirmou que não é seu governo que está sendo desafiado, mas sim "um caminho, uma missão", em referência à candidatura albanesa à União Europeia, prevista para 2030.
"Os albaneses precisam pensar com clareza: eles querem isso, aquilo, ou querem a UE?", questionou o premiê.
O líder albanês atribuiu a escalada das manifestações a "forças externas" e alegou ter neutralizado um drone carregado com explosivos que pretendia atingir seu gabinete.
Sem apresentar qualquer prova, Rama responsabilizou o Irã e a Rússia pelos protestos e bradou contra movimentos "antifa" e "neocomunistas" por supostamente instrumentalizarem os jovens como "escudos humanos".
🇦🇱❗️🇪🇺 Protestos estudantis na Albânia miram primeiro-ministro Edi Rama, no cargo desde 2013, enfrenta escalada das mobilizações, iniciadas em maio contra mudanças legislativas que facilitaram projetos imobiliários de Jared Kushner, genro de Trump, em reservas ambientais no país https://t.co/TBkVJvLubq
— RT Brasil (@rtnoticias_br) October 19, 2026
Enquanto negava a possibilidade que os jovens tenham se articulado organicamente de tal maneira e convidava estudantes para conversas diretas, escavadeiras removiam pedras das calçadas do centro de Tirana e retiravam o pavimento da via pública ao redor de seu gabinete.
Dentro do próprio Partido Socialista, a deputada Elisa Spiropali enviou carta crítica a Rama, escrevendo que "a crise não se resolve com declarações feitas a partir de gabinetes".
"Quando o governo vê toda crítica como uma conspiração, todo protesto como uma ameaça, todo oponente como um inimigo, então a sociedade começa a falar a linguagem da violência", afirma Spiropali.
A Comissão Europeia condenou a violência em comunicado domingo, enfatizando que países candidatos à UE devem resolver queixas "de maneira pacífica".
- A Albânia, já membro da OTAN, busca a adesão europeia desde 2009, mas escândalos de corrupção mancham sua reputação.

