Marcha estudantil pacífica termina em repressão policial na Argentina: o que se sabe

Milhares de estudantes, professores e trabalhadores universitários se reuniram na quinta-feira (15) em frente ao Congresso da Argentina, em Buenos Aires, para exigir que o governo de Javier Milei cumpra a Lei de Financiamento Universitário.
No entanto, o que havia sido convocado como um ato em defesa da educação pública terminou com graves incidentes, com forças de segurança utilizando gás lacrimogêneo, balas de borracha e caminhões-pipa com jatos d’água contra os manifestantes.
🎓🇦🇷 Universitarios, sindicatos, jubilados y personas con discapacidad salen a las calles en Argentina https://t.co/cLZvvfeG6Q
— RT Última Hora (@RTultimahora) October 15, 2026
Uma mobilização em defesa da educação pública
A quinta Marcha Federal Universitária foi convocada por estudantes, professores, funcionários técnico-administrativos e reitores, com o apoio de sindicatos e organizações sociais.
Sob o lema "Pela educação, pela soberania e pela democracia", os participantes exigiram mais recursos para as universidades públicas, reajustes salariais e o cumprimento de uma lei aprovada pelo Congresso que o Poder Executivo ainda não implementou integralmente.
🎓🇦🇷 Universitarios, sindicatos, jubilados y personas con discapacidad salen a las calles en Argentina https://t.co/JJksC8ltqB
— Errete en Español (@erreteespanol) October 15, 2026
Desde as primeiras horas da tarde, diferentes grupos de manifestantes começaram a chegar à Praça do Congresso para participar do ato principal.
A concentração ocorreu em meio a uma grande operação de segurança, com ruas interditadas, barreiras de proteção e um grande número de policiais mobilizados nos arredores do Palácio Legislativo.
Imágenes de la represión policial en Plaza Congreso durante la quinta Marcha Federal Universitaria, en reclamo por la implementación de la Ley de Financiamiento Universitario. https://t.co/ASi4qayayS https://t.co/ka3jfqJbKX
— Corta (@somoscorta) October 15, 2026
O começo dos confrontos
A situação mudou poucos minutos antes do ato principal, quando um grupo de pessoas encapuzadas começou a depredar o mobiliário urbano e a arremessar pedras e outros objetos contra as barreiras que protegiam o Congresso.
Imagens divulgadas pelo canal TN mostraram pessoas quebrando bancos e arrancando pedaços das calçadas para usá-los como projéteis.
💥 Miles de estudiantes, docentes y trabajadores universitarios marcharon al Congreso para exigir el cumplimiento de la Ley de Financiamiento Universitario (ya votada por el Congreso y con fallos judiciales a favor). ⏩ La jornada terminó con incidentes: un grupo lanzó piedras luego de romper bancos y veredas, y las fuerzas de seguridad respondieron con gases lacrimógenos y camiones hidrantes. Hubo heridos de ambos lados. . . . Más información en https://t.co/vIUHImHVfn . GENTILEZA: @c5n . . #MarchaUniversitaria #Congreso #Reel #LeyDeFinanciamientoUniversitario #Viral #EducaciónPública #Argentina #Política
— Mundo Poder (@MundoPoder_) October 15, 2026
As forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo, disparos de balas de borracha e jatos de água sob pressão. Embora os distúrbios tenham sido inicialmente provocados por um grupo reduzido, a intervenção policial atingiu numerosos participantes que protestavam pacificamente.
Entre eles estavam estudantes, professores e famílias que estavam na manifestação para reivindicar um futuro para a educação pública.
Os confrontos deixaram pelo menos 8 policiais feridos e mais de 30 pessoas detidas em Buenos Aires, entre elas 2 menores de idade, informou o jornal La Nación.

"Está ficando realmente muito complicado"
A repressão também atingiu profissionais da imprensa que cobriam a mobilização.
O correspondente da RT na Argentina, Ricardo Romero, foi atingido por gás lacrimogêneo enquanto fazia uma transmissão ao vivo da avenida Rivadavia com a rua Paraná, na região central de Buenos Aires.
"Está ficando realmente muito complicado seguir no ar e continuar contando o que está acontecendo", disse o jornalista entre tosses. Romero afirmou que os manifestantes ao seu redor "em nenhum momento estavam provocando incidentes".
❗️ 🇦🇷 Tensión en Argentina: la Policía reprime una masiva marcha universitaria Las fuerzas de seguridad utilizaron gases lacrimógenos y camiones hidrantes contra manifestantes que se movilizaron frente al Congreso, en Buenos Aires. Los participantes de la quinta Marcha Federal Universitaria exigen al Gobierno de Javier Milei que cumpla con la Ley de Financiamiento Universitario. 🎙️ @soyrickyromero nos trae el reporte en DIRECTO.
— Errete en Español (@erreteespanol) October 15, 2026
Um dos episódios mais graves foi registrado pelas câmeras de televisão: uma granada de gás lançada pelas forças de segurança atingiu a cabeça de uma mulher que participava do protesto.
Além disso, um cinegrafista do canal C5N foi agredido no rosto por um indivíduo encapuzado enquanto tentava filmá-lo.
🚨HAY UNA MUJER HERIDA EN LA CABEZA POR EL GOLPE DE UNA LATA DE GAS LACRIMÓGENO Los médicos auxiliares la asistieron y cuentan que hay varios afectados por la represión de la policía. https://t.co/wFWtn5LnS8
— 🇦🇷EL SOBERANO🇦🇷 (@ElSoberanoArge) October 15, 2026
O ataque foi registrado durante uma transmissão ao vivo e provocou novas denúncias sobre a presença de supostos infiltrados entre os manifestantes.
Hubo infiltrados en el Congreso durante la Marcha Universitaria antes de la represión policial rompiendo veredas y bancos. Un encapuchado golpeó a un camarógrafo de C5N, mientras que Carla Ricciotti, periodista de LaNación+ recibió el impacto de un objeto en la cabeza. https://t.co/RlC3hLpUaY
— Pablo Rizzi (@Budijoly) October 15, 2026
O líder do bloco da União pela Pátria na Câmara dos Deputados, Germán Martínez, criticou duramente a operação policial.
"A repressão que estão promovendo não faz sentido algum. A marcha transcorria de maneira absolutamente normal e pacífica", afirmou, denunciando que até mesmo parlamentares foram atingidos pelo gás.

Reivindicações da comunidade universitária
O protesto reuniu estudantes, professores, trabalhadores universitários, sindicatos e organizações sociais que exigem a implementação da lei de financiamento, aprovada pelo Congresso e posteriormente vetada por Milei.
A norma foi ratificada pelo Parlamento, mas continua sem ser aplicada, em meio a uma disputa judicial entre as universidades e o Poder Executivo.
A comunidade universitária exige a atualização dos recursos destinados ao funcionamento das instituições, a recomposição dos salários de professores e funcionários técnico-administrativos diante da inflação e mais investimentos em pesquisa científica.
Os manifestantes denunciaram que os cortes orçamentários promovidos pelo governo Milei colocam em risco a qualidade do ensino, as atividades acadêmicas e a continuidade dos projetos de pesquisa.
