
Crise da habitação em Portugal: Porto protesta contra repressão policial e falta de moradia

Cerca de 2.500 pessoas saíram na Praça D. João I, na cidade portuguesa do Porto na quinta-feira (15), para se manifestar contra a crise da habitação e protestar contra a violência policial que marca os protestos que abalam o país desde a semana passada, segundo imprensa portuguesa.

A concentração começou com "Grândola, Vila Morena", canção símbolo da Revolução dos Cravos de 1974, que pôs fim à ditadura de Marcelo Caetano, com a marcha seguindo até a sede da Câmara Municipal.
Os manifestantes reivindicaram direito à habitação, pediram renúncia do presidente da Câmara da cidade, Pedro Duarte.
"Éramos 100, 200 pessoas aqui a lutar por um direito que é universal. Todas as pessoas no mundo merecem um teto digno. Há, infelizmente, pessoas que não o têm, e é ultrajante como é que o nosso presidente, Pedro Duarte, foi capaz de recorrer a este nível de violência para manifestantes pacíficos", afirmou uma manifestante à jornal Diário de Notícias.
Violência policial
O protesto de quinta-feira (15) ocorreu após uma outra manifestação, um dia antes, com barracas armadas na mesma praça ter sido alvo de violência policial, com pelo menos 37 manifestantes feridos em confronto com Polícia de Segurança Pública (PSP), segundo Sónia Quinche, porta-voz do movimento de habitação Acampada no Porto.
Las protestas contra los desahucios han llegado hasta Portugal. El gobierno de derechas ha dado la orden a la policía de desalojar con violencia las acampadas por la vivienda digna en Oporto. Hay 35 manifestantes heridos. https://t.co/vT2WN5aXXR
— Fonsi Loaiza (@FonsiLoaiza) October 15, 2026
Em meio à manifestação, o presidente da Câmara Municipal do Porto afirmou que ia ser "absolutamente implacável" com as barracas.
Segundo a agência RTP, a PSP afirmou ter solicitado aos manifestantes a remoção das barracas antes de começar a operação.
A polícia cita lei que proíbe manifestações em lugares públicos depois de 00h30 como a motivação.
De acordo com os manifestantes ouvidos pela mídia, a violência ocorreu sem "qualquer tipo de provocação".
"No momento em que estávamos a cantar 'Grândola, Vila Morena', eles carregam e destacamos uma unidade para desmontar as tendas e atender a ordem. Quando todas as tendas estavam quase desmontadas, eles começam com a violência", disse Pedro Manuel, porta-voz do Movimento pela Habitação, em entrevista à RTP.
Polícia reprime manifestantes pacíficos depois de garantir que não o faria. Só quando não havia jornalistas. Estes são métodos de regime fascista que não podemos tolerar. Governantes e autarcas deviam ter vergonha. #Habitação #Porto #RepressãoPolicial https://t.co/FzagtLY0MS
— Luís Pereira (@pereira_luis) October 16, 2026
A PSP confirmou que um agente foi também ferido nos protestos.
Por que os portugueses protestam
A crise da habitação vem se aprofundando por todo o país. Os preços dos alugueis subiram 10,2% no segundo trimestre deste ano, para cerca de 10,17 euros por metro quadrado, aprofundando a crise de habitação.
Ao mesmo tempo, o Parlamento aprovou, em setembro, uma reforma que acelera despejos e põe fim a limites para os aluguéis.
Os movimentos que lutam contra as mudanças apresentam seis reivindicações principais: fim a lei dos alugueis, fim dos despejos, fim da compra de imóveis por fundos abutres, mais habitação pública, expropriação de imóveis devolutos, e tetos aos alugueis.
Os protesto por moradia em Portugal ocorrem ao mesmo tempo em que uma onda de manifestações contra despejos tomou a Espanha.
