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Cidadãos sem cargo oficial dão ordens dentro de ministério colombiano, aponta investigação

Funcionários denunciam pedidos de informações sensíveis enviados a e-mail pessoal; envolvidos não responderam aos questionamentos.
Cidadãos sem cargo oficial dão ordens dentro de ministério colombiano, aponta investigaçãoDivulgação / Ministério do Interior da Colômbia

Funcionários do Ministério do Interior da Colômbia denunciam que pessoas sem contrato ou nomeação com o Estado estariam dando ordens, convocando reuniões e solicitando informações sensíveis dentro da pasta. As irregularidades foram apontadas em uma investigação publicada pelo jornal El País nesta quinta-feira (8).

Um dos principais nomes citados é Federico Arellano Mendoza, advogado e colega de graduação do presidente Abelardo de la Espriella. Após a mudança de governo, em 7 de agosto, ele se apresentou como diretor de Direitos Humanos, embora não tivesse vínculo formal com o Estado.

Uma funcionária, que pediu anonimato por medo de represálias, alertou que pessoas sem vínculo com o ministério solicitavam informações sobre organizações defensoras da paz, incluindo contatos e números de telefone. "Esta é uma preocupação com a segurança das organizações e comunidades com as quais se trabalha, porque as informações individualizadas estão em risco", alertou.

Mensagens de WhatsApp obtidas pelo El País mostram que Ruby Silva, apontada como assessora de Arellano, pedia dados sensíveis aos funcionários e orientava o envio das informações para seu e-mail pessoal do Hotmail, em vez de uma conta institucional. Ela também convocava reuniões com o advogado, apresentado como diretor.

Arellano apareceu no organograma do ministério como diretor até 29 de setembro, mas seu nome foi retirado no dia seguinte. Apesar disso, quatro fontes consultadas separadamente pelo jornal afirmaram que ele continuava exercendo as funções. Uma funcionária informou que Yeny Martínez ocupava interinamente o cargo desde 19 de agosto.

Em 18 de setembro, o advogado assinou uma lista de presença como diretor de Direitos Humanos durante uma reunião organizada pela Chancelaria sobre o caso da jornalista Jineth Bedoya Lima. No documento, forneceu um endereço pessoal do Gmail como contato.

Outro caso

Ricardo Chaparro Herrera também foi apontado como alguém que exercia funções de chefia sem nomeação formal. Em 23 de setembro, ele presidiu uma reunião sobre a alteração de um decreto relacionado ao uso da força pelo Estado e à proteção de protestos pacíficos, apresentando-se como diretor de diálogo social.

Consultas realizadas pelo El País aos sistemas oficiais de emprego público (Sigep) e de contratação estatal (Secop) não localizaram contratos ou nomeações de Arellano, Silva e Chaparro. O Código Penal colombiano prevê os crimes de usurpação de funções públicas e simulação de cargo público.