
Alto-Comando do Exército já discute cenários caso Flávio Bolsonaro seja eleito; confira o que está na mesa

Integrantes da cúpula militar brasileira discutem a possibilidade de Marcos Degaut, ex-secretário de Produtos de Defesa do governo Jair Bolsonaro, assumir o Ministério da Defesa caso Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição presidencial. A informação foi publicada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira (7), com base em relatos de oficiais.
Degaut trabalhou como diretor do Edge Group, conglomerado de defesa dos Emirados Árabes Unidos, para Brasil e América Latina, entre maio de 2023 e abril de 2024. O grupo adquiriu o controle de duas empresas brasileiras do setor: a fabricante de mísseis SIATT e a empresa de engenharia Akaer.

O ex-secretário é próximo de Eduardo Bolsonaro e participou de negociações conduzidas pelo então deputado para estreitar os laços entre Brasil e Emirados Árabes Unidos na área de defesa. Ele também chegou a ser indicado para a embaixada brasileira no país, mas desistiu em 2022, alegando problemas de saúde.
A ligação de Degaut com o Edge provoca questionamentos entre alguns militares, diante da expansão do conglomerado no mercado brasileiro. Procurado pela Folha, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou que não comentaria as especulações.
As discussões sobre um eventual governo Flávio ocorrem por mensagens, telefonemas e conversas paralelas à reunião do Alto Comando do Exército, realizada em Brasília. Um militar ouvido pela Folha afirmou que não há contato entre o Exército e a campanha do senador.
Comando do Exército
Para o comando do Exército, um dos nomes mencionados pelos militares é o do general Francisco Humberto Montenegro Júnior, atual número dois da Força. Ex-assessor parlamentar, ele mantém uma relação próxima com o comandante Tomás Ribeiro Paiva.
A possível escolha, porém, esbarra na ordem de antiguidade. Montenegro é o sétimo general mais antigo do Alto Comando, enquanto Luciano Guilherme Cabral Pinheiro, chefe da Secretaria de Finanças, ocupa a primeira posição na lista considerada para a sucessão.
Outros nomes citados são Kleber Nunes de Vasconcellos, comandante de Operações Terrestres, e Luiz Fernando Baganha, diretor de pessoal do Exército. Dois bolsonaristas próximos de Flávio afirmaram que a família mantém ressalvas a Tomás por um discurso em defesa da despolitização das Forças Armadas.
Na Marinha, militares mencionam o almirante Arthur Fernando Bettega, chefe do Estado-Maior, como possibilidade para o comando. Na Força Aérea Brasileira (FAB), o nome citado é o de Walcyr Josué de Castilho Araújo, atual número dois da instituição.

