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Eduardo promete 'limpeza no Itamaraty' em eventual governo Flávio

Ex-deputado anunciou planos de ofensiva contra a chancelaria e ameaçou retaliar diplomatas que, segundo ele, teriam "sabotado" o governo de Jair Bolsonaro.
Eduardo promete 'limpeza no Itamaraty' em eventual governo FlávioGettyimages.ru / Tomas Cuesta

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (30) que pretende fazer uma "faxina" no Itamaraty caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seja eleito presidente.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse ter "mapeado" os embaixadores que entraram e saíram de postos durante o governo Lula e ameaçou servidores que, segundo sua avaliação, teriam atuado contra seu pai.

"Meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola", afirmou Eduardo. Ele também prometeu retirar do cargo o embaixador brasileiro na Espanha, atualmente Luiz Alberto Figueiredo, como forma de dar um "exemplo".

Em outra publicação, Eduardo prometeu uma "limpeza no Itamaraty'' a partir de 2027. Segundo ele, o ministério "deixará de proteger o hamas e os filhos corruptos de Lula para ser um órgão que honre a história do Barão do Rio Branco e sirva ao povo brasileiro".

Atuação nos EUA

A ofensiva ocorre após um período de atuação de Eduardo nos Estados Unidos em defesa de medidas do governo Donald Trump contra o governo Lula e o Brasil. Em setembro, ele afirmou ter ficado "feliz" com a inclusão de uma referência a "dissidentes políticos" em uma lista de exigências apresentada pelos EUA ao Brasil durante as negociações sobre o tarifaço de 2025.

Na ocasião, Eduardo disse considerar-se um dissidente político. Ele e o comentarista Paulo Figueiredo, seu amigo pessoal estavam em Washington para reuniões com integrantes do governo Trump e afirmaram que pretendiam discutir a retomada de sanções da Lei Magnitsky contra ministros do STF e novas medidas contra autoridades e a economia do Brasil.

Próximo chanceler?

De acordo com reportagem do jornal Folha de S.Paulo, essa atuação internacional de Eduardo é considerada um fator que poderia ampliar seu peso político em um eventual governo Flávio. Nesse cenário, seria difícil negar a ele um papel central na política externa caso reivindique o comando do Itamaraty. Uma alternativa em discussão seria sua nomeação para a Embaixada do Brasil em Washington.

Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde março de 2025, foi condenado pelo STF em junho de 2026a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, em razão de sua atuação no exterior para pressionar autoridades brasileiras. Em setembro, também perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de cargo.

Padrão Marco Rubio

Ainda de acordo com a Folha, em conversas fechadas, Marcos Degaut, apontado como braço direito de Eduardo na área de política externa, afirmou haver um plano para implementar no Itamaraty uma reforma inspirada no "Marco Rubio overhaul", reestruturação promovida pelo secretário de Estado dos EUA. A proposta prevê mudanças nas carreiras diplomáticas.

Segundo Degaut, também haveria espaço para pessoas de fora da carreira diplomática ocuparem funções no ministério.