
Autoridades europeias acusaram Rússia de interferência para anular eleição legítima, lembra Eduardo

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro sugeriu que integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) poderiam estar preparando uma "narrativa" para anular as eleições presidenciais brasileiras de outubro caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vença o pleito. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Washington nesta quinta-feira (17).
"Pelo que eu vi no julgamento, onde Alexandre de Moraes tira da manga que o que o André Mendonça está fazendo é a continuação do golpe, eu vejo a preparação de uma narrativa para tentar anular a eleição brasileira", afirmou.
Segundo Eduardo, a narrativa de interferência estrangeira já teria sido utilizada em outras ocasiões com a mesma finalidade. Ele citou o caso da Romênia, afirmando que, em 2024, a Corte Constitucional do país "anulou a eleição de lá, coincidentemente, quando venceu um direitista, o [Calin] Georgescu, e foram feitas outras eleições", sob a alegação de "interferência russa".
Entenda:
O caso citado por Eduardo ocorreu após as eleições presidenciais romenas de 2024. O candidato independente Calin Georgescu venceu o primeiro turno realizado em novembro daquele ano, à frente de candidatos de partidos tradicionais. Georgescu defendia uma política de maior soberania nacional, criticava a OTAN e a postura da União Europeia em relação à Rússia.

Em dezembro, a Corte Constitucional da Romênia anulou o primeiro turno e determinou a repetição do processo eleitoral. A decisão foi tomada após autoridades romenas alegarem que a campanha de Georgescu havia sido beneficiada por uma operação de influência estrangeira associada à Rússia, incluindo uma suposta campanha coordenada no TikTok.
A alegação de interferência russa, contudo, foi posteriormente rejeitada. A própria Agência Nacional de Administração Tributária da Romênia descartou a hipótese de ingerência do Kremlin. Em fevereiro de 2026, um relatório do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos também desconsiderou versão apresentada pelas autoridades romenas, afirmando que o TikTok não havia encontrado evidências de uma campanha russa coordenada para favorecer Georgescu. Segundo o documento americano, a operação de divulgação que havia sido atribuída à Rússia teria sido financiada por outro partido político romeno.
À época, o chanceler russo, Sergey Lavrov, condenou o "hábito" do Ocidente de impor uma determinada via política a outros países, "interferindo nas eleições e culpando a Rússia por tudo". O ministro afirmou ainda que, quando um candidato favorável ao Ocidente vence, supostas violações seriam ignoradas, enquanto a vitória de um candidato que "não amaldiçoa" Moscou seria imediatamente associada a uma suposta ingerência russa.
Após a anulação do primeiro turno, Georgescu foi impedido de participar da nova eleição presidencial marcada para 2025. O Tribunal Constitucional rejeitou seu recurso contra a decisão das autoridades eleitorais, mantendo sua candidatura invalidada. A medida provocou protestos em Bucareste e foi criticada por políticos e comentaristas que a interpretaram como uma restrição à participação eleitoral do candidato.
O novo pleito acabou sendo vencido por Nicusor Dan, candidato pró-União Europeia, após Georgescu ficar fora da disputa. O jornalista Glenn Greenwald, entre outros críticos do processo, questionou a sequência de decisões.
"Primeiro, os senhores autoritários do Ocidente anularam a eleição da Romênia porque o candidato de que não gostavam venceu. Depois, as pesquisas mostram que ele venceria na reeleição, então simplesmente o baniram da cédula. Agora, o candidato fantoche deles finalmente venceu, e eles afirmam que a 'democracia' triunfou", resumiu Glenn à época.

