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Cai governo pró-Ocidente de país europeu membro da OTAN; entenda

A coalizão governista da Romênia colapsou após o parlamento aprovar uma moção de desconfiança contra o premiê Ilie Bolojan; a queda ocorre em um cenário de crise econômica, com o país enfrentando o maior déficit da União Europeia e pressões por medidas de austeridade.
Cai governo pró-Ocidente de país europeu membro da OTAN; entendaAP / Vadim Ghirda

A coalizão governista pró-União Europeia da Romênia ruiu na terça-feira (5), após o primeiro-ministro Ilie Bolojan ser destituído por um voto de desconfiança no parlamento do país.

A derrota ocorre após meses de tensão causados por medidas de austeridade, enquanto Bucareste enfrenta o maior déficit orçamentário da União Europeia.

A moção foi aprovada por 281 votos a 4, após um debate sobre uma ação conjunta lançada pelo Partido Social-Democrata (PSD), de esquerda — que deixou a coalizão governista no final do mês passado —, e pelo partido de oposição de direita Aliança pela União dos Romenos (AUR).

Durante o debate parlamentar, Bolojan classificou a moção como "cínica e artificial", insistindo que adotou medidas "urgentes e necessárias" para enfrentar a crise econômica do país.

Críticos, no entanto, argumentam que, após dez meses no poder, Bolojan e o governo pró-União Europeia, composto por quatro partidos, não entregaram melhorias reais à população.

O líder do AUR, George Simion, celebrou a votação em suas redes sociais, afirmando que os romenos apenas "receberam impostos, guerra e pobreza" sob o governo, e pediu eleições antecipadas — embora a realização de novos pleitos antes de 2028 seja considerada improvável.

Instabilidade política na Romênia

A coalizão governista de quatro partidos foi formada em junho de 2025 pelo presidente Nicusor Dan.

Críticos argumentam que o processo foi orquestrado para manter forças anti-Bruxelas fora do poder e satisfazer interesses de grupos da União Europeia e da OTAN.

A Romênia abriga uma das maiores bases aéreas regionais da OTAN, Mihail Kogalniceanu, próxima ao Mar Negro, que passa por expansão para se tornar a maior base aérea do bloco na Europa.

Anulação da vitória de Georgescu

A primeira rodada das eleições, realizada em dezembro de 2024, foi vencida pelo candidato independente Calin Georgescu, que defendia a restauração da soberania romena e se opunha à postura hostil da União Europeia em relação à Rússia.

Contudo, a Corte Constitucional da Romênia, sob pressão de Bruxelas, anulou o resultado, alegando uma suposta campanha de interferência russa via TikTok. Embora nenhuma evidência tenha sido apresentada para as acusações.

Georgescu foi posteriormente detido, acusado de incitação contra a ordem constitucional e impedido de concorrer na eleição de reposição de 2025.

As acusações foram posteriormente reduzidas para promoção de "propaganda de extrema-direita".

Retrocesso democrático na União Europeia

O tratamento dispensado a Georgescu foi amplamente criticado, inclusive nos Estados Unidos. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, afirmou na Conferência de Segurança de Munique, em fevereiro de 2025, que era "feio" ver um político com um ponto de vista alternativo ser bloqueado, e acusou a Europa de retroceder em seus valores democráticos mais fundamentais.

O próprio Georgescu argumenta que sua vitória foi anulada pela "máfia globalista" porque a OTAN pretende "lançar a Terceira Guerra Mundial a partir da Romênia", opondo-se à sua campanha focada na paz.

Próximos passos

O presidente Nicusor Dan deve iniciar consultas com líderes partidários para formar um novo governo.

A Romênia tem até o mês de agosto para concluir reformas e desbloquear cerca de 11 bilhões de euros em fundos da União Europeia, de acordo com o Politico.