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Esquerda ou Direita? Confira quem são candidatos que vão ao 2° turno na Colômbia

O candidato governista construiu carreira na defesa dos direitos humanos; o outro aposta em propostas de linha dura no combate ao crime e "Estado mínimo" inspiradas em Nayib Bukele e Javier Milei.
Esquerda ou Direita? Confira quem são candidatos que vão ao 2° turno na ColômbiaAndres Rot/Gettyimages.ru//Long Visual Press/Gettyimages.ru

O candidato de esquerda, o governista Iván Cepeda, e o independente de direita Abelardo de la Espriella vão diputar o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia, de acordo com números preliminares divulgados pela Registradoria Nacional do Estado Civil. 

No primeiro turno, realizado no domingo (31), De la Espriella ficou na liderança com 43,74% dos votos. Cepeda recebeu 40,90%.

Ativista de direitos humanos

Aos 62 anos, Iván Cepeda passa pelo maior desafio de sua trajetória política ao tentar manter a esquerda no poder após a eleição histórica de Gustavo Petro em 2022, quando a Colômbia elegeu pela primeira vez um presidente progressista.

Nascido em Bogotá, em outubro de 1962, Cepeda é um dos nomes mais conhecidos da defesa dos direitos humanos no país.

Filho dos militantes comunistas Manuel Cepeda e Yira Castro, viveu parte da infância no exílio. Em 1965, sua família deixou a Colômbia e passou por Praga e Havana antes de retornar ao país cinco anos depois.

Na juventude, aproximou-se do Partido Comunista e estudou filosofia na Bulgária. Ao voltar à Colômbia, começou a se afastar da militância partidária tradicional. O assassinato de seu pai, senador da União Patriótica, em 1994, marcou uma mudança definitiva em sua trajetória.

Naquele período, dezenas de integrantes da União Patriótica foram mortos em meio à violência política que atingia o país. A partir de então, Cepeda passou a atuar diretamente em defesa das vítimas do conflito armado e tornou-se uma das principais vozes em favor da paz.

Também participou da fundação do Movimento Nacional das Vítimas de Crimes de Estado, trabalho que lhe rendeu ameaças de morte e o levou novamente ao exílio, desta vez na França, em 2000. No país europeu, cursou pós-graduação em direitos humanos.

  • Carreira política

Cepeda retornou à Colômbia em 2003. Sua entrada na política institucional ocorreu seis anos depois, quando foi eleito para a Câmara dos Representantes. No Congresso, ganhou projeção nacional como um dos principais críticos do ex-presidente Álvaro Uribe.

Ao longo da última década, ampliou sua influência ao participar de iniciativas ligadas às negociações de paz entre o governo colombiano e as Farc, além de diálogos envolvendo o Exército de Libertação Nacional (ELN).

Em 2014, foi eleito senador. Conseguiu a reeleição em 2018 e 2022 e consolidou sua posição como uma das lideranças da esquerda colombiana. Em 2025, lançou sua pré-candidatura presidencial e venceu as primárias do Pacto Histórico com 64,1% dos votos.

Durante a campanha, defendeu propostas voltadas para agricultores, povos indígenas, comunidades afro-colombianas e setores vulneráveis da população.

Sua candidata a vice-presidente é a senadora indígena Aída Quilcué, reconhecida por sua atuação também em defesa dos direitos humanos.

O advogado comparado a Milei

Abelardo de la Espriella, por sua vez, chega ao segundo turno como a principal aposta da direita. Advogado, empresário e fundador do movimento Defensores da Pátria, tem 47 anos e nasceu em Bogotá, embora tenha sido criado no departamento de Córdoba.

Conhecido por sua atuação empresarial, especialmente no setor de moda, também desenvolveu atividades artísticas como cantor. Sem experiência em cargos públicos, construiu sua candidatura com um discurso de combate à corrupção, defesa da segurança pública e críticas ao establishment político.

Apelidado de "Tigre", ganhou força nas pesquisas nos meses que antecederam a eleição. Admirador do presidente argentino Javier Milei, passou a ser frequentemente comparado ao líder libertário por defender mudanças profundas no funcionamento do Estado e adotar um discurso antissistema.

Em sua carreira como advogado, representou clientes envolvidos em casos de grande repercussão.

Entre eles, segundo reportagem do Cambio, está David Murcia Guzmán, criador do esquema financeiro DMG, condenado por fraude e posteriormente extraditado para os Estados Unidos.

Também atuou na defesa de ex-congressistas ligados ao escândalo da parapolítica e do ex-magistrado Jorge Pretelt, condenado por corrupção.

  • Propostas

De la Espriella disputa a eleição ao lado de José Manuel Restrepo, ex-ministro dos governos de Iván Duque nas áreas de Comércio e Fazenda.

Seu programa de governo tem sido comparado aos modelos defendidos por Javier Milei, na Argentina, e Nayib Bukele, em El Salvador. Na área de segurança, promete endurecer o combate ao crime, construir ao menos dez megapresídios e encerrar as negociações com grupos armados, uma das principais bandeiras do governo Petro.

O candidato também defende a extinção da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), criada após o acordo firmado com as Farc em 2016.

Na economia, propõe reduzir o tamanho do Estado, cortar ministérios, diminuir impostos e ampliar a desregulamentação, além de incentivar a exploração de recursos naturais.