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Brasil entra na mira de empresas estrangeiras em busca de terras raras

Três mineradoras australianas mantêm projetos na região de Poços de Caldas (MG), favorecida por depósitos próximos à superfície.
Brasil entra na mira de empresas estrangeiras em busca de terras rarasGettyimages.ru / Phil Clarke Hill/In Pictures Ltd./Corbis

O Sul de Minas Gerais entrou no radar da corrida internacional pelas terras raras, minerais estratégicos para tecnologias de energia limpa, eletrônicos e equipamentos de alta tecnologia. No Planalto de Poços de Caldas, empresas estrangeiras desenvolvem projetos de pesquisa e exploração em diferentes estágios.

Na quarta-feira (30), a australiana Lynas Rare Earths anunciou um acordo de cerca de A$ 968 milhões (R$ 3,5 bilhões) para adquirir a Meteoric Resources e assumir o Projeto Caldeira, em Minas Gerais.

A Meteoric e a também australiana Viridis Mining and Minerals foram as primeiras empresas estrangeiras a adquirir projetos na região, em 2023. Ambos estão em fase de licenciamento ambiental e têm previsão de operação em 2028, conforme apuração do portal g1.

Em abril, a também australiana Power Minerals comprou por cerca de R$ 80 milhões o projeto Morro do Ferro, também em Poços de Caldas.

Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), havia até 2025 1.882 autorizações para pesquisa de terras raras no Brasil, sendo 361 em Minas Gerais. Cerca de um terço dos pedidos mineiros estava concentrado na região de Poços de Caldas.

Região estratégica

O Planalto de Poços de Caldas reúne áreas de Minas Gerais e São Paulo e possui depósitos de terras raras em argilas iônicas, formadas em uma região de origem vulcânica. Os minerais estão próximos à superfície, permitindo exploração a céu aberto e potencialmente reduzindo custos em comparação com outros depósitos.

Segundo o geólogo Álvaro Fochi, uma área de aproximadamente 800 km² poderia conter até 300 milhões de toneladas de terras raras.

No Projeto Caldeira, são estimados 128 milhões de toneladas de recursos minerais. Já o Projeto Colossus, da Viridis, prevê movimentar 5 milhões de toneladas de argila por ano e produzir 2.843 toneladas anuais de neodímio e praseodímio durante 40 anos.

A Power Minerals, por sua vez, identificou no Morro do Ferro um alvo com potencial entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas e iniciou uma nova campanha de sondagem.