
Com milhões de barris em mãos, Trump aponta primeiro destino ao petróleo da Venezuela

O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou neste domingo (30) que pretende abastecer as reservas estratégicas do país com petróleo bruto venezuelano que adquiriu no acordo firmado com o governo da Venezuela, anunciado na sexta-feira (28).
"Graças ao Joe 'Sonolento' Biden, [essas reservas] foram praticamente esvaziadas", escreveu o presidente no Truth Social.

Descrito anteriormente pelo presidente americano como "o maior acordo petrolífero da história mundial", ele afirma que "o processo completo de reabastecimento começará muito em breve" e caracteriza a operação como "um presente da Venezuela para o povo americano".
O acordo define o controle "majoritário" americano de poços de petróleo, segundo Trump, estimados em mais de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas.
Tanque cheio?
A possibilidade de uma grande crise energética nos EUA é real, considerando que suas reservas estratégicas de petróleo atingiram recentemente seus níveis mais baixos desde 1983.
O Departamento de Energia local informou, no início de agosto, que elas caíram para 304,81 milhões de barris, representando uma queda de 24,32% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Além disso, a CNBC já havia relatado que as numerosas cavernas de sal onde os Estados Unidos armazenam seu petróleo estratégico podem estar em risco devido à rápida liberação de petróleo bruto causada pela guerra contra o Irã.
Especialistas alertam que o esgotamento acelerado provocado pelo conflito no Oriente Médio pode danificar as 60 cavernas subterrâneas localizadas ao longo da costa da Louisiana e do Texas. Danos a essas instalações dificultariam a resposta a futuras emergências energéticas e aumentariam os riscos à integridade operacional e estrutural das cavernas.
Declarações de Delcy Rodríguez
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, destacou em pronunciamento à nação no sábado (29) que o acordo "histórico" garante investimento necessário para aproveitar as maiores reservas de petróleo do mundo do país.
"Esta iniciativa é fruto do fortalecimento das relações entre a Venezuela e os Estados Unidos", declarou.
Ela argumentou que "é inútil termos nossas reservas de petróleo no subsolo apenas para que apareçam em uma estatística" quando não podem ser convertidas em desenvolvimento para a Venezuela.
O acordo de 25 anos prevê desenvolvimento de 17 campos petrolíferos com meta de produção superior a 1,5 milhão de barris diários. Segundo Rodríguez, tomando 65 dólares como preço de referência, a receita venezuelana superaria US$ 209 bilhões, levando o país a receber cerca de 19 dólares por barril vendido.

