
Patrulha canina: ICE expande arsenal tecnológico com investimento de até US$ 2 milhões em robôs SPOT

A agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) pretende gastar até US$ 2 milhões (cerca de R$ 10,4 milhões) na aquisição de cães robóticos para apoiar operações de segurança pública e fiscalização, conforme aviso de contratação publicado pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) nesta semana.

Os robôs SPOT, fabricados pela Boston Dynamics, auxiliarão na "inspeção, consciência situacional e avaliação de riscos em ambientes que possam representar perigos ao pessoal", segundo o documento.
Os equipamentos quadrúpedes de aproximadamente 34 kg possuem câmeras de 360 graus, conectividade Wi-Fi e braços extensíveis, além de sensores para detectar gases, radiação e vibrações, detalha a jornal americano USA Today.
A tecnologia já é utilizada pelo Serviço Secreto e departamentos policiais nos EUA. Em 2024, vídeos viralizaram nas redes sociais mostrando os robôs patrulhando Mar-a-Lago, propriedade do presidente Donald Trump.
A symbol of the beginning of a new era: a robot dog patrols #Trump's Mar-a-Lago home after his election victory pic.twitter.com/SRYmSU8ePU
— UinHurricane (@UinHurricane) November 8, 2024
O investimento ocorre após o DHS aprovar US$ 16 milhões para a compra de luvas de choque elétrico, gerando críticas de grupos de direitos civis e legisladores democratas.
Olhos por toda a parte
O contexto mais amplo aponta para um movimento de expansão sem precedentes do arsenal de vigilância tecnológica do ICE.
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Segundo relatório "A Tecnologia por detrás do ICE" divulgado em junho, produzido por ONGs de direitos civis e institutos de pesquisa, os gastos do governo com contratos de empresas de tecnologia que utilizam ferramentas de inteligência artificial para rastrear imigrantes atingiram níveis recordes durante o segundo mandato de Trump.
O estudo revelou que o valor destinado a 11 empresas fornecedoras de tecnologia de vigilância dobrou entre 2024 e 2025, alcançando US$ 310 milhões.

Em 2026, esse montante disparou para US$ 513 milhões – um crescimento impulsionado principalmente por contratos com a Palantir, empresa de análise de dados central nas operações do ICE, e a Anduril, fabricante de sistemas de vigilância baseados em IA, torres de fronteira, drones e sensores.
O arsenal tecnológico do ICE inclui corretores de dados, softwares analíticos, ferramentas de raspagem de redes sociais, reconhecimento facial, dispositivos de invasão e spyware para telefones celulares, além de drones e torres fronteiriças "autônomas".
O DHS não apenas compra esses produtos, mas opera uma incubadora bilionária que financia pesquisas e parcerias moldando o desenvolvimento de tecnologias em função da "segurança nacional".

