
Do Japão à Finlândia e EUA: Rússia lembra de violações a direitos de povos indígenas

O Dia Internacional dos Povos Indígenas foi celebrado no domingo (9). Por conta da data, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou casos de violações de direitos de populações indígenas em diferentes países do Ocidente, incluindo Japão, Finlândia, Estados Unidos, Canadá e Austrália.
Segundo o governo russo, essas populações vivem em todas as regiões do mundo, ocupam cerca de 22% do território do planeta e representam aproximadamente 5 mil culturas e a maioria das cerca de 7 mil línguas existentes.
Moscou argumentou que, diante das críticas de países ocidentais à Rússia, apresentaria alguns casos registrados em relatórios de direitos humanos. Na Austrália, por exemplo, 58 em cada mil crianças aborígenes estão sob tutela do Estado, contra 4,7 entre os demais habitantes.

Violações no Ocidente
O texto também cita o Canadá, onde pelo menos 15 mil mulheres indígenas teriam sido submetidas a esterilização forçada desde a década de 1890; a Nova Zelândia, onde os maoris apresentam taxas desproporcionais de suicídio e são submetidos com maior frequência a medidas de isolamento em instituições psiquiátricas; e os Estados Unidos, onde mais de um quarto dos integrantes das chamadas Primeiras Nações viveriam abaixo da linha da pobreza e apenas 15% teriam formação universitária.
A Rússia também menciona os povos sámi do norte da Europa. Na Noruega, afirma que três em cada quatro sámi sofrem discriminação relacionada à etnia, gênero ou local de residência.
Na Finlândia, Moscou critica autorizações para exploração geológica e pedreiras em territórios sámi, alegando que as objeções das comunidades não são consideradas.
Na Suécia, a expansão da mineração em nome da transição energética seria, segundo a diplomacia russa, realizada sem levar suficientemente em conta os territórios tradicionalmente utilizados para criação de renas.
Problema sistêmico
No Japão, o Ministério das Relações Exteriores russo aponta discriminação contra os ainus, no norte do país, e os ryukyuanos, nas ilhas do sul, nas áreas de trabalho, educação e assistência social.
A Dinamarca também é citada. Segundo os dados apresentados por Moscou, a proporção de pessoas sem moradia entre os inuítes seria cinco vezes maior que entre os dinamarqueses étnicos.
Para o governo russo, os casos indicariam um problema "sistêmico" entre países que se apresentam como democracias de referência. A chancelaria afirma que as violações não se limitariam à discriminação, mas envolveriam políticas de assimilação, perda de territórios tradicionais e, em alguns casos, medidas que poderiam resultar na redução forçada da população indígena.

