
Indígenas, ONGs e movimentos celebram derrubada de decreto sobre concessão de hidrovias na Amazônia

Organizações indígenas, ONGs ambientais e movimentos sociais celebraram a decisão do governo brasileiro de revogar o Decreto nº 12.600, que previa estudos para a concessão à iniciativa privada das hidrovias dos rios amazônicos Tapajós, Madeira e Tocantins.
Nas redes sociais, o grupo SOS Tapajós divulgou imagens com a celebração de "guerreiras e guerreiros do Baixo Tapajós" e de "todos os povos indígenas que ocuparam" o terminal da Cargill em Santarém. A multinacional tornou-se símbolo da expansão do corredor logístico do agronegócio na região.
🇧🇷⚡️ Indígenas, ONGs ambientais e movimentos comemoram a revogação do decreto que previa concessão de hidrovias na AmazôniaO projeto era defendido por setores do agronegócio como estratégico para reduzir custos logísticos.Entenda: https://t.co/BjDXuwhwYipic.twitter.com/BV4BcYPrtk
— RT Brasil (@rtnoticias_br) February 24, 2026
A decisão veio após protestos que duraram mais de um mês contra o decreto. Segundo a Agência Brasil, grupos indígenas chegaram a ocupar o escritório da Cargill, e manifestações também foram realizadas em São Paulo, além da instalação de um acampamento em Brasília.
O presidente @LulaOficial ouviu os povos indígenas. Decreto 12.600 revogado! Uma vitória da mobilização, da democracia e de todos aqueles e aquelas que se levantaram em defesa de seus territórios e que compreendem que defender um rio é defender a vida. pic.twitter.com/az6lTt2AvH
— Sonia Guajajara (@GuajajaraSonia) February 23, 2026
"Esse é um governo que tem compromisso com a escuta do povo, com a escuta dos trabalhadores, com a escuta dos povos indígenas. Esse é um governo, inclusive, que leva a escuta ao ponto de recuar de uma decisão própria, por entender, compreender a posição desses povos. Esse não é o governo que passa a boiada, esse não é o governo que passa por cima da floresta, que passa por cima dos povos originários", declarou Guilherme Boulos, Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, na tarde desta segunda-feira (23), ao anunciar a revogação.

A ONG internacional Greenpeace, sediada em Amsterdã, também havia promovido campanhas e coleta de assinaturas contra a concessão dos rios amazônicos à iniciativa privada.
O projeto das hidrovias vinha sendo defendido por setores ligados à logística e ao escoamento da produção agrícola como medida para reduzir custos e ampliar a competitividade brasileira no mercado internacional.
Em julho de 2025, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, defendeu a importância da expansão das hidrovias, afirmando que obras dessa natureza podem "reduzir em até 40% os custos logísticos", ao comparar o transporte hidroviário com o rodoviário.
À época, Filho chegou a defender o impacto ambiental das hidrovias, enfatizando que "cada 25 barcaças equivalem a 500 caminhões a menos nas estradas".
