Guerra de indenizações: Trump rebate pedido iraniano e cobra reparação por décadas de 'agressões'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (10) que representantes do Irã estão solicitando indenizações e anunciou que Washington também vai exigir compensações de Teerã por décadas de ações que, segundo ele, causaram milhares de mortes.
"Vejo que representantes da República Islâmica do Irã estão pedindo uma compensação pelo dano causado durante o último conflito militar de cinco meses (que começou porque eles não vão ter uma arma nuclear), embora isso nunca tenha sido mencionado em nenhuma de nossas negociações ou reuniões", escreveu Trump em sua rede Truth Social. Nesse contexto, o presidente classificou o pedido iraniano de "ideia interessante" e anunciou que, da mesma forma, os Estados Unidos exigirão indenização do Irã.
Trump listou uma longa série de supostas ofensas pelas quais Washington buscaria compensação: "Por todas as pessoas que mataram e feriram gravemente com suas bombas em estradas e muitos conflitos pelos quais são famosos, liderados inicialmente pelo general [Qassem] Soleimani, incluindo as famílias dos mortos no USS Cole, e milhares de outros mortos em combate".
Trump encerrou sua mensagem afirmando que instruiu seus representantes a incluir firmemente essa exigência "em todas e quaisquer negociações futuras".
Em seguida, o presidente acrescentou comentários sobre o andamento das conversas entre Washington e Teerã. "Além disso, no que diz respeito às negociações com o Irã, este país deveria assumir a responsabilidade pelos danos e mortes causados à população do Líbano, da Síria, do Iêmen e de Gaza!", defendeu.
Na semana passada, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, anunciou que o Estreito de Ormuz não será reaberto até que os Estados Unidos "corrijam seu comportamento", o que envolve seis condições:
- Não ameaçar o Irã "com nenhum tipo de linguagem" nem insultar as "crenças sagradas" da nação iraniana.
- Encerrar de forma permanente a "guerra e a agressão" contra o Irã e seus aliados no Líbano, na Palestina, no Iêmen e no Iraque.
- Suspender o bloqueio naval e retirar as forças militares (marítimas e aéreas) dos arredores do Irã.
- Pagar uma indenização "integral e sem cortes" pelas duas guerras "agressivas e impostas" ao Irã.
- Eliminar todas as sanções "injustas e ilegais" contra a nação iraniana.
- Liberar "incondicionalmente" os ativos bloqueados e "roubados" do povo iraniano.
No dia 8 de julho, Donald Trump deu por encerrado o cessar-fogo alcançado na noite de 17 para 18 de junho, após o que as forças americanas lançaram vários ataques contra o Irã. Washington acusou Teerã de atacar embarcações comerciais em Ormuz. O Irã, por sua vez, denunciou violações dos EUA ao memorando de entendimento e respondeu com diversos ataques a bases militares americanas no Oriente Médio.
No dia 9 de agosto, a Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano aprovou um projeto de lei que estabelece novas regras para o trânsito pelo estreito, garantindo que não permitirá que nenhuma embarcação o atravesse sem sua autorização.

