
Partido aliado do governo espanhol questiona Copa de 2030 com Marrocos

O partido Sumar pediu ao governo espanhol que revise a organização conjunta da Copa do Mundo de 2030 com Portugal e Marrocos. O pedido ocorre após a crise migratória em Ceuta, onde 72 mil pessoas atravessaram a fronteira espanhola. A informação foi publicada pelo El País nesta quarta-feira (5).
Em documento enviado ao Congresso dos Deputados, a legenda afirmou que "o futebol não pode servir para branquear tudo" e questionou a relação de confiança entre Espanha e Marrocos.
O partido sustenta que a cooperação migratória não pode ser usada de acordo com interesses diplomáticos. Também afirma que migrantes não devem ser utilizados pelo governo marroquino nem criminalizados ao chegar à Espanha.
Pressão migratória

Serviços de inteligência espanhóis concluíram que o Marrocos permitiu e utilizou a onda migratória sobre Ceuta, mas não a planejou. Segundo a avaliação, não houve premeditação.
Os governos de Espanha e Marrocos atribuíram a chegada em massa a uma decisão do Tribunal Supremo espanhol que proíbe expulsões imediatas quando a entrada ocorre pelo mar sem danos à estrutura da fronteira.
"Quando pessoas desesperadas se transformam em peças de pressão geoestratégica, deixa de existir uma relação confiável entre parceiros", afirmou o Sumar no documento assinado por quatro deputados.
Prestígio internacional
A legenda argumenta que Marrocos não deve receber o prestígio, os benefícios econômicos e a legitimidade internacional associados à Copa do Mundo enquanto persistirem dúvidas sobre o uso político de vidas humanas.
O Sumar também afirma que o governo espanhol deve avaliar se existem fatos incompatíveis com os princípios defendidos pelo país e cobrar o cumprimento dos compromissos de direitos humanos durante toda a preparação e realização do torneio.
O partido propõe mecanismos independentes de supervisão, maior transparência institucional e reforço do controle democrático sobre a organização da Copa de 2030.
Disputa pela final
Espanha e Marrocos também disputam o direito de receber a final do Mundial. O presidente da Federação Espanhola, Rafael Louzán, afirmou que a partida será realizada na Espanha, com o Santiago Bernabéu como favorito, mas a Fifa ainda não tomou uma decisão.
Marrocos pretende sediar a final e impulsionou o projeto de reforma do estádio Hassan II, em Casablanca, com capacidade prevista para 115 mil espectadores.


