O governo de Javier Milei, na Argentina, decidiu não escalar as recentes tensões diplomáticas com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, informou o canal argentino TN na terça-feira (28).
Segundo o veículo, a Casa Rosada optou pela cautela para evitar a emissão de notas de protesto ou sanções, buscando manter a estabilidade nas relações bilaterais.
Apesar dos embates, o governo argentino considera que as divergências possuem natureza ideológica e política, o que não deve comprometer o comércio entre os dois parceiros estratégicos.
A estratégia envolve o fortalecimento de um novo bloco regional de direita, que inclui figuras como Keiko Fujimori, no Peru, Abelardo de la Espriella, na Colômbia, Daniel Noboa, no Equador, e Rodrigo Paz, na Bolívia.
De acordo com o cenário descrito, Milei visa consolidar uma agenda comum baseada no livre mercado, na segurança de "mão dura" e no alinhamento com EUA e Israel. A administração aposta na mesma lógica que aplica na Argentina: alto confronto, intervenção pública direta nos assuntos dos países da região, bandeiras anticomunistas e polarização constante.
Entre os objetivos políticos, destaca-se o apoio às aspirações de Flávio Bolsonaro no Brasil, o que poderia alterar o mapa político da região.
Ataques de Milei
A tensão entre os dois países vem aumentando após os ataques verbais do presidente argentino, Javier Milei.
Durante o evento do PL, Milei chamou Lula de "presidiário" e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de "lixo careca". O argentino também criticou a decisão de Moraes que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a prisão do ex-mandatário seria resultado de perseguição.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli. O chanceler Mauro Vieira reuniu-se nesta segunda-feira com Bitelli para avaliar a situação da relação bilateral.
As declarações também provocaram reação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que chamou Milei de "palhaço" e afirmou que os indicadores econômicos brasileiros são superiores aos da Argentina, citando menor risco-país, inflação e desemprego.