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Rodrigo Paz declara estado de exceção na Bolívia

A medida "não tem como objetivo eliminar a normalidade, mas sim restaurá-la", enfatizou o presidente boliviano.
Rodrigo Paz declara estado de exceção na BolíviaGettyimages.ru / Anadolu / Colaborador

Após 50 dias de bloqueios que paralisaram o país, o presidente boliviano Rodrigo Paz decretou estado de exceção em todo território nacional neste sábado (20). 

A medida, que entra em vigor imediatamente, amplia os poderes governamentais para mobilizar as Forças Armadas e desobstruir as rodovias estratégicas tomadas por manifestantes.

Paz enfatizou que a decisão "não pretende eliminar a normalidade, mas restaurá-la", assegurando que o objetivo é devolver a liberdade à população, e não restringi-la.

"Os bolivianos não podem continuar sendo mantidos reféns por bloqueios que os impedem de trabalhar, estudar, receber atendimento médico, obter suprimentos e sustentar suas famílias", afirmou o presidente.

Os protestos, liderados por sindicatos e organizações rurais, têm desencadeado uma situação de severo desabastecimento nas principais cidades bolivianas. Embora a Central Operária Boliviana tenha firmado acordo com o governo e suspendido as mobilizações, grupos como a Federação Camponesa de La Paz Túpac Katari seguem mantendo as mobilizações.

Em pronunciamento à nação após o anúncio, Paz defendeu que esgotou todas as possibilidades de diálogo antes de recorrer à medida excepcional, acusando setores infiltrados de transformarem reivindicações legítimas em estratégia de desestabilização democrática.

O presidente advertiu que "aqueles que persistirem em bloquear, destruir ou desafiar a ordem constitucional enfrentarão as consequências legais", reiterando, contudo, que as portas do governo permanecem abertas para quem deseja negociar de boa-fé.

A legislação boliviana estabelece que o Congresso deve ser notificado em 24 horas e tem prazo de 72 horas para aprovar ou rejeitar o decreto presidencial.