
Bloqueios e protestos entram na 4ª semana na Bolívia em meio a pedidos de renúncia do presidente

A Bolívia iniciou a quarta semana de protestos contra o governo, com alguns incidentes no centro da capital, La Paz, entre policiais e manifestantes. Nesse contexto, mais de 50 bloqueios de estradas foram registrados em vários pontos do país, segundo a imprensa local.
As mobilizações são lideradas pela Central Operária Boliviana e por camponeses, que chegaram à região da vice-presidência do Estado e do Banco Central da Bolívia para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz Pereira.
"Nós nos somamos a esta luta, a esta causa, pela incapacidade de administração do senhor presidente Rodrigo Paz", declarou à RT o dirigente sindical Vladimir Condorí, que acusou as autoridades de "governar por decretos".
Enquanto isso, em La Paz foram relatadas dificuldades para acessar produtos básicos, como frango e combustíveis, devido aos bloqueios, aumentando o descontentamento entre os cidadãos.

"Os preços também subiram e é um pouco complicado estar aqui na cidade de La Paz, mas, da mesma forma, é preciso fazer tudo para seguir em frente", afirmou um morador.
Por sua vez, o presidente anunciou a redução de 50% do próprio salário e do salário dos ministros para buscar um consenso, além de defender a solução das divergências por meio do diálogo.
Paz denunciou que os protestos têm caráter insurrecional e recebeu apoio de Washington. "Que não haja dúvidas: os Estados Unidos apoiam plenamente o governo constitucional legítimo da Bolívia", afirmou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Reação de Evo Morales
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales acusou no domingo (24) os EUA de "intromissão" na política boliviana, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, e do argentino Fernando Cerimedo, que — segundo denunciou — está levando Paz "ao fracasso" em meio à crise política e social.
"Sua política, tentando cumprir a receita do imperialismo, de se apropriar dos nossos recursos naturais, privatizar, enriquecer ainda mais os ricos, dividir e confrontar os bolivianos e gerar ódio e racismo, é apenas uma opção pelo suicídio político", escreveu Morales em sua conta no X.
