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Nova onda azul? Entenda por que conservadores podem estar ganhando força na América Latina

Uma sequência de vitórias de candidatos conservadores, liberais e de direita em vários países da América Latina levanta o debate sobre uma possível mudança de ciclo político na região, impulsionada por fatores como insegurança, crise econômica e desgaste de governos tradicionais.
Nova onda azul? Entenda por que conservadores podem estar ganhando força na América LatinaImagem criada por inteligência artificial

A sequência de vitórias de candidatos conservadores, liberais e de direita em diversos países da América Latina desde 2023 tem alimentado o debate sobre uma possível "nova onda azul" na região.

Embora os líderes eleitos representem correntes distintas, que vão do conservadorismo tradicional ao libertarianismo e ao populismo de direita, muitos chegaram ao poder impulsionados por pautas como segurança pública, crescimento econômico, críticas aos governos tradicionais e forte alinhamento com o governo Trump.

Paraguai

Santiago Peña foi eleito presidente do Paraguai em 30 de abril de 2023, garantindo a continuidade do domínio do Partido Colorado, que governa o país há décadas. Ex-ministro da Fazenda, ele fez campanha em defesa da estabilidade econômica e da atração de investimentos.

Identificado como conservador, Peña assumiu com uma plataforma voltada para o crescimento econômico e a preservação das políticas adotadas por seus antecessores. Sua vitória foi interpretada como uma demonstração da força das estruturas políticas tradicionais paraguaias.

Equador

Daniel Noboa venceu as eleições equatorianas em 15 de outubro de 2023, em uma disputa extraordinária convocada para completar o mandato presidencial. Em abril de 2025, foi reeleito para um período completo.

Empresário e filho do magnata Álvaro Noboa, o presidente é geralmente situado entre a centro-direita e a direita liberal. Seu governo tem priorizado medidas voltadas para o crescimento econômico e o combate à violência ligada ao narcotráfico em aliança com Donald Trump.

Argentina

Javier Milei venceu as eleições presidenciais argentinas em 19 de novembro de 2023, tornando-se um dos principais expoentes da "direita libertária" na América Latina.

Sua campanha foi marcada pelas críticas ao Estado e às políticas econômicas tradicionais.

Frequentemente classificado como integrante da direita radical, Milei implementou um amplo programa neoliberal de ajuste fiscal e desregulamentação da economia.

Sua chegada ao poder foi vista como uma resposta à estagnação econômica e à inflação galopante que assolava o país.

El Salvador

Nayib Bukele foi reeleito em 4 de fevereiro de 2024, consolidando sua popularidade após uma ofensiva contra as gangues que reduziu drasticamente os índices de violência em El Salvador.

Sua gestão é caracterizada por uma forte concentração de poder e por políticas de segurança rígidas.

A constitucionalidade de sua reeleição foi questionada por opositores e por especialistas, que apontaram possíveis violações das regras constitucionais do país.

Panamá

José Raúl Mulino venceu as eleições presidenciais do Panamá em 5 de maio de 2024. Próximo do ex-presidente Ricardo Martinelli, ele assumiu a candidatura após a Justiça impedir a participação de seu aliado.

Mulino é identificado com posições conservadoras e pró-mercado. Sua campanha foi marcada por promessas de retomada do crescimento econômico e combate ao desemprego.

República Dominicana

Luis Abinader conquistou a reeleição em 19 de maio de 2024, ampliando a vantagem de seu Partido Revolucionário Moderno. O presidente ganhou destaque por sua política de crescimento econômico e pelo endurecimento das medidas na fronteira com o Haiti.

Situado na centro-direita, Abinader defende uma agenda liberal e voltada para a atração de investimentos. Seu governo tem sido associado à estabilidade econômica em comparação com outros países da região.

Bolívia

Rodrigo Paz foi eleito presidente da Bolívia em 19 de outubro de 2025. Durante a campanha, apresentou-se como uma alternativa de centro, buscando atrair eleitores moderados.

Após assumir o cargo, suas propostas econômicas de caráter pró-mercado provocaram protestos em diferentes regiões do país, com bloqueios de estradas e críticas de sindicatos e movimentos sociais contrários às reformas. 

Após a escalada dos protestos no país, o presidente Rodrigo Paz decretou estado de emergência (ou estado de exceção, conforme a legislação boliviana) para permitir a atuação das forças de segurança na desobstrução de rodovias e na tentativa de restabelecer a ordem.

Honduras

Nasry Asfura venceu as eleições em Honduras em 30 de novembro de 2025, sendo oficialmente declarado vencedor em 24 de dezembro, após atrasos e controvérsias no processo de apuração.

Membro do Partido Nacional, Asfura é identificado como conservador. Sua vitória foi contestada pela oposição, que levantou questionamentos sobre a contagem dos votos, embora as autoridades eleitorais tenham confirmado o resultado.

Chile

José Antonio Kast venceu as eleições presidenciais chilenas em 14 de dezembro de 2025. Conhecido por suas posições conservadoras, ele construiu sua campanha em torno dos temas da segurança pública e do controle da imigração.

Frequentemente classificado como integrante da direita radical, Kast chegou ao poder em meio ao descontentamento com a situação econômica e o aumento da criminalidade no país.

Colômbia

Abelardo de la Espriella venceu o segundo turno das eleições presidenciais colombianas em 21 de junho de 2026. Advogado e empresário, ele se destacou por seu discurso nacionalista e conservador.

Suas propostas incluem a redução do tamanho do Estado e o endurecimento das políticas de segurança. Sua vitória representou uma mudança significativa após anos de predominância de forças de esquerda e centro-esquerda no país.

Peru

Keiko Fujimori disputou o segundo turno das eleições peruanas em 7 de junho de 2026. Em 24 de junho, alcançou uma vantagem matematicamente irreversível, embora ainda aguardasse a proclamação oficial do resultado pelas autoridades eleitorais.

Líder conservadora e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ela voltou a disputar a Presidência após derrotas anteriores. Sua campanha foi marcada pela defesa de políticas econômicas liberais e pelo discurso de combate à criminalidade.

Uma mudança duradoura ou mais um ciclo?

Apesar da sequência de vitórias, ainda é cedo para afirmar se a América Latina vive uma nova "onda azul" comparável à "onda rosa" que marcou a ascensão de governos de esquerda nas décadas anteriores.

Os presidentes eleitos representam correntes ideológicas variadas, do liberalismo econômico ao nacionalismo e ao populismo de direita, e chegaram ao poder em contextos nacionais distintos.

Ainda assim, a sucessão de resultados desde 2023 sugere que uma parcela significativa do eleitorado latino-americano tem demonstrado crescente insatisfação com as forças políticas tradicionais e maior receptividade a propostas voltadas para a segurança pública, a redução da intervenção estatal e a retomada do crescimento econômico.