O governo brasileiro considera a atual crise diplomática com a Argentina a mais grave desde o retorno à democracia, afirmou Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, à CNN Brasil nesta terça-feira (28).
Na segunda-feira (27), o chanceler Mauro Vieira, reuniu-se em Brasília com o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para analisar a situação, que descreveram como "muito grave", segundo uma fonte citada pelo veículo.
A decisão envolve manter Bitelli no Brasil e aguardar os próximos passos do governo argentino antes de adotar novas medidas diplomáticas.
A situação atual está sendo comparada à tensão de 1973 , quando Brasil e Paraguai assinaram o Tratado de Itaipu e a Argentina reagiu fortemente à exploração de águas compartilhadas, propondo, sem sucesso, a construção da Usina Hidrelétrica de Corpus Christi. Desde então, apesar de períodos de tensão, como o desentendimento entre Jair Bolsonaro e Alberto Fernández, os canais bilaterais de diálogo têm sido mantidos.
Ataques de Milei
A tensão entre os dois países vem aumentando após os ataques verbais do presidente argentino, Javier Milei.
Durante o evento do PL, Milei chamou Lula de "presidiário" e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de "lixo careca". O argentino também criticou a decisão de Moraes que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a prisão do ex-mandatário seria resultado de perseguição.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos e chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli. O chanceler Mauro Vieira reuniu-se nesta segunda-feira com Bitelli para avaliar a situação da relação bilateral.
As declarações também provocaram reação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que chamou Milei de "palhaço" e afirmou que os indicadores econômicos brasileiros são superiores aos da Argentina, citando menor risco-país, inflação e desemprego.