Outra investigação dos EUA pode aumentar tarifas contra o Brasil em até quase 40%

Apuração conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos prevê uma taxa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil, que pode se somar a outras tarifas já anunciadas.

O governo brasileiro aguarda a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre trabalho forçado, que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de até 12,5% sobre produtos brasileiros. Se a medida entrar em vigor, alguns setores da indústria nacional poderão enfrentar tarifas de até 37,5%, considerando a soma com outras taxas já anunciadas pelos Estados Unidos.

A investigação foi aberta em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e faz parte de um processo que envolve o Brasil e mais de 60 países.

Segundo o USTR, as tarifas são propostas para governos que, na avaliação do órgão, não adotam medidas suficientes para combater o trabalho forçado em suas cadeias produtivas.

O escritório norte-americano informou que países que "impõem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado, que se comprometeram a impor e a fazer cumprir tal proibição por meio de um Acordo sobre Comércio Recíproco, ou para as economias que impuseram um regime parcial com o efeito de impedir a importação de certos produtos provenientes de trabalho forçado" receberam proposta de tarifa de 10%. Para as demais nações, incluindo o Brasil, a proposta é de 12,5%.

Impacto já é esperado

O Palácio do Planalto já considera a tarifa de 12,5% como esperada. A medida não deve incluir uma lista de exceções, ao contrário da alíquota anunciada pelos Estados Unidos na quarta-feira (15).

A nova taxa também é tratada como um substitutivo da tarifa global de 10% anunciada anteriormente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a Suprema Corte derrubar o chamado "tarifaço".

As tarifas globais anunciadas em fevereiro têm caráter temporário e expiram em 24 de julho. Até essa data, a expectativa é que o USTR anuncie oficialmente a nova tarifa de até 12,5%.