A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) afirmou, nesta quinta-feira (16), que a tarifa de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve afetar mais de 11 bilhões de dólares em exportações industriais e do agronegócio. A medida entra em vigor em 22 de julho e, segundo a entidade, reduz oportunidades de cooperação entre Brasil e EUA em setores estratégicos.
As tarifas foram anunciadas após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar "práticas desleais" que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos. O documento cita o Pix, o desmatamento ilegal e a corrupção.
Em nota, a Amcham afirma que a medida reduz a competitividade das exportações brasileiras e tende a elevar os custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos. A entidade também avalia que o aumento dos preços dos produtos brasileiros pode afetar indústrias norte-americanas que utilizam insumos do Brasil, ampliar a dependência de fornecedores asiáticos e agravar o déficit comercial dos EUA com países da Ásia.
Comércio bilateral afetado
Segundo a Amcham, o comércio entre os dois países já registra retração de 13% no ano, levando a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. A entidade afirma ainda que o aumento das tarifas pode aprofundar essa queda eimpactar negativamente os investimentos bilaterais.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, defendeu a continuidade das negociações entre os dois países.
"Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%", afirmou.
O documento que oficializa a nova taxação inclui uma lista de produtos isentos da tarifa. Entre eles estão café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja, terras-raras e outros itens.